A Prefeitura de Goiânia prorrogou até outubro de 2026 o contrato com a Companhia de Urbanização (Comurg), que passa a ter custo de até R$ 49,6 milhões por mês — ou R$ 595 milhões por ano. O novo aditivo também devolve à estatal a administração e a operação do aterro sanitário, atividades que haviam sido retiradas do contrato em setembro de 2024.
O documento foi publicado em edição extra do Diário Oficial na sexta-feira (17), dois dias antes do fim da vigência anterior. Antes da mudança, o contrato custava cerca de R$ 47,5 milhões mensais, totalizando R$ 571 milhões anuais. A ampliação representa R$ 2 milhões a mais por mês e R$ 24 milhões por ano em comparação com os valores anteriores.
Segundo o novo termo, a operação do aterro custará R$ 1,8 milhão por mês, e a administração do local, R$ 161 mil mensais. Esses dois serviços haviam sido retirados do escopo contratual na gestão de Rogério Cruz (SD), quando a Prefeitura anunciou que a responsabilidade seria transferida à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra).
A Comurg afirmou, em nota, que a inclusão dos itens foi necessária porque o processo de licitação para um novo contrato ainda não foi concluído. A companhia declarou que “sempre manteve servidores no aterro, mesmo sem receber pelo serviço”, e que o aditivo foi “necessário diante da impossibilidade temporal de concluir um novo contrato”.
O Comitê de Controle de Gastos da Prefeitura, criado pelo prefeito Sandro Mabel (UB), aprovou a prorrogação em reunião no dia 16 de outubro. O órgão classificou a decisão como uma medida “excepcional”, voltada à continuidade dos serviços até a finalização de um novo documento definitivo.
O aumento ocorre em meio a novas investigações sobre a gestão do aterro sanitário. Segundo O Popular, a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) indiciou o prefeito Sandro Mabel, o atual secretário da Seinfra, Francisco Elísio Lacerda, o ex-prefeito Rogério Cruz e dois ex-titulares da pasta — Denes Pereira e Breno Raner — pelo funcionamento do aterro sem licença ambiental. A Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) suspendeu a licença do local em dezembro de 2024.
O contrato entre a Prefeitura e a Comurg foi firmado originalmente em outubro de 2023 e já passou por quatro aditivos. Além da limpeza urbana, a empresa executa serviços de varrição manual, reconstrução de calçadas e meio-fio, roçagem, plantio de grama e manutenção de lagos e nascentes.
Desde o ano passado, as coletas orgânica e seletiva, além da remoção de entulho, foram transferidas para o consórcio Limpa Gyn, em contrato de cerca de R$ 20 milhões mensais. Esse serviço é alvo de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Goiânia, que investiga a medição e fiscalização das atividades do consórcio.
Com o novo aditivo, a Comurg volta a assumir a operação completa da limpeza urbana e do aterro sanitário, em um momento de pressão política sobre os contratos de infraestrutura da capital. O processo de elaboração de um novo contrato segue sem prazo definido.