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Rússia lança maior ataque aéreo em semanas enquanto cúpula entre Trump e Putin é adiada
Moscou dispara mais de 400 mísseis e drones contra a Ucrânia, causando blecautes e mortes em Kiev; forças de Zelenski reagem com ofensiva a mil km de distância.
22/10/2025 20h33
Por: Redação Fonte: Folha de S. Paulo
Socorristas com crianças de um jardim de infância atingido no ataque russo a Kiev / Reprodução: Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia/AFP

Sem um novo encontro definido entre Donald Trump e Vladimir Putin, Rússia e Ucrânia elevaram a tensão da guerra nesta quarta-feira (22). Moscou lançou o maior ataque aéreo das últimas semanas, com 433 mísseis e drones contra várias regiões da Ucrânia, deixando ao menos seis mortos em Kiev, entre eles uma criança.

Segundo o governo ucraniano, o bombardeio foi massivo e coordenado em camadas para sobrecarregar as defesas aéreas. Das 405 aeronaves não tripuladas, 333 foram abatidas, mas parte dos mísseis de cruzeiro e balísticos conseguiu atingir alvos estratégicos. Quatro mísseis hipersônicos Kinjal cruzaram o espaço aéreo sem serem interceptados.

Os ataques provocaram apagões e interrupções no abastecimento de água quente em Kiev, que enfrenta temperaturas próximas dos 9 °C. O sistema de distribuição de gás e energia da Ucrânia permanece fragilizado com a aproximação do inverno.

No campo de batalha, Moscou afirmou ter tomado duas novas vilas em Donetsk, ampliando a pressão sobre as forças de Volodimir Zelenski, que tenta conter avanços russos em uma linha de frente de cerca de mil quilômetros.

Em resposta, a Ucrânia lançou uma ofensiva de longo alcance, atingindo fábricas e uma refinaria em território russo — incluindo alvos em Briansk, Mordóvia e Daguestão, a até mil quilômetros das fronteiras. Kiev afirma ter usado mísseis Storm Shadow, de fabricação franco-britânica.

As ofensivas ocorrem em meio a impasse diplomático: a esperada segunda cúpula entre Trump e Putin foi adiada indefinidamente. Divergências sobre o formato de um cessar-fogo e a definição de territórios sob controle russo travaram as conversas.

Putin quer manter partes de Donetsk e regiões ao sul, enquanto Trump e Zelenski defendem um acordo imediato de cessar-fogo, sem concessões territoriais. O Kremlin afirma que as negociações continuam, mas pede “preparações meticulosas” antes de qualquer novo encontro.

Com a escalada militar e o impasse político, o conflito entra em uma nova fase de incerteza. A Ucrânia busca mais apoio militar de Trump e da Europa, enquanto Moscou reforça ataques para chegar fortalecida a qualquer mesa de negociação.