Saúde Meio ambiente
ONU admite que meta de limitar aquecimento global a 1,5°C não será alcançada
António Guterres afirma que ultrapassar o limite é “inevitável” e alerta para consequências graves se não houver corte imediato nas emissões.
22/10/2025 20h39
Por: Redação Fonte: Terra
Reprodução: Michael M. Santiago/Getty Images

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu nesta quarta-feira (22) que o mundo não conseguirá mais conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C em relação à era pré-industrial — uma das principais metas do Acordo de Paris, firmado em 2015. O alerta foi feito pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em discurso na Organização Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra.

“Uma coisa já está clara: não conseguiremos conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C nos próximos anos. Ultrapassar esse limite agora é inevitável”, afirmou Guterres.

A meta de 1,5°C representa o aquecimento máximo considerado seguro para evitar danos irreversíveis aos ecossistemas, como o derretimento de geleiras, secas extremas, aumento do nível do mar e colapso de sistemas agrícolas.
O cálculo toma como base o período entre 1850 e 1900, quando o uso industrial de carvão, petróleo e gás ainda não havia provocado o aumento significativo de gases de efeito estufa na atmosfera.

Apesar dos compromissos climáticos assumidos por diversos países, as emissões de CO₂ continuam subindo. Segundo a OMM, há 86% de chance de que pelo menos um ano entre 2025 e 2029 ultrapasse o limite de 1,5°C, e 80% de chance de que um desses anos supere 2024 como o mais quente já registrado.

O relatório da agência prevê que a temperatura média global próxima à superfície deverá ficar entre 1,2°C e 1,9°C acima da média pré-industrial até o fim desta década.

Em maio, o Serviço Meteorológico do Reino Unido, com base em dados de dez centros internacionais, confirmou que 2023 e 2024 foram os anos mais quentes da história, e que o planeta deve continuar em “níveis sem precedentes de aquecimento”.

A secretária-geral adjunta da OMM, Ko Barrett, resumiu a gravidade da situação: “Acabamos de viver a década mais quente já registrada. Infelizmente, não há sinais de que isso vá mudar.”

A ONU ainda defende que limitar o aquecimento abaixo de 2°C continua sendo crucial para evitar catástrofes climáticas de grande escala. Guterres reforçou o apelo por redução imediata das emissões, transição energética e investimentos urgentes em fontes limpas de energia para conter o colapso climático.