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Caixa vai criar fundo imobiliário para ajudar Correios a equilibrar contas
Fundo com imóveis da estatal deve levantar recursos e complementar possível empréstimo de até R$ 20 bilhões; banco também anuncia pacote de crédito de R$ 80 bilhões.
23/10/2025 13h32
Por: Redação Fonte: Folha de S. Paulo
Reprodução: José Cruz/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal vai criar um fundo imobiliário com imóveis dos Correios para ajudar a estatal a obter novas receitas e reequilibrar suas finanças. A informação foi confirmada pelo presidente do banco, Carlos Vieira, que também anunciou medidas para estimular o crédito habitacional no país.

Segundo Vieira, o fundo será uma alternativa complementar ao empréstimo que está em análise pelo governo, estimado em até R$ 20 bilhões.

“O que for medida para ajudar os Correios, de geração de receita, podem contar com a Caixa”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo.

A proposta prevê reunir os imóveis avaliados em R$ 5,5 bilhões em um fundo que permitirá operações de aluguel e leasing back — modalidade em que a empresa vende seus próprios ativos e os aluga de volta, garantindo o uso do imóvel e reforçando o caixa ao mesmo tempo.

Os Correios enfrentam uma grave crise financeira: no primeiro semestre de 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 4,3 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo do mesmo período de 2024. A empresa revisa contratos e prepara um programa de demissão voluntária para conter gastos.

💰 Pacote de crédito imobiliário

Vieira também destacou as novas políticas de crédito do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, as medidas devem injetar R$ 80 bilhões no setor imobiliário nos próximos 12 meses, somando recursos para compra de imóveis e reformas residenciais.

A Caixa, que hoje responde por 68% do crédito habitacional do país, pretende reduzir sua participação para 50%, abrindo espaço para outros bancos e aumentando a concorrência. A expectativa é liberar até R$ 1 trilhão em crédito para o sistema bancário na próxima década.

O programa Reforma Casa Brasil, voltado para famílias com renda de até R$ 9,6 mil, receberá R$ 40 bilhões — sendo R$ 30 bilhões do fundo do pré-sal e R$ 10 bilhões de recursos próprios.

O banco também aposta em tecnologia e inteligência artificial para fiscalizar as obras com precisão geográfica e garantir o uso correto dos recursos.

Carlos Vieira negou interferência política em suas decisões e afirmou que continua no cargo por confiança direta do presidente Lula. Segundo ele, a Caixa pretende manter o equilíbrio entre responsabilidade social e sustentabilidade financeira, com foco na recuperação dos Correios e no fortalecimento da classe média.