O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quarta-feira (22), em discurso na Indonésia, que será candidato à reeleição em 2026. A declaração foi feita durante visita oficial ao presidente indonésio Prabowo Subianto, em Jacarta, e marca a primeira confirmação pública de que o petista buscará um quarto mandato.
“Eu vou disputar um quarto mandato no Brasil. Esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano. Mas estou preparado para disputar outras eleições”, afirmou Lula, acrescentando que, aos 80 anos, mantém “a mesma energia de quando tinha 30”.
O presidente está em viagem oficial pela Ásia, que inclui compromissos na Indonésia e na Malásia, e servirá também para o encontro com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, marcado para domingo (26), em Kuala Lumpur.
Nos últimos meses, Lula já vinha sinalizando a intenção de disputar novamente, embora sempre condicionasse a decisão à sua saúde. Em abril, durante jantar com líderes da base aliada, disse estar “candidatíssimo”.
A nova fala marca uma mudança em relação ao discurso de 2022, quando o então candidato afirmava não pensar em reeleição. “Não vou ser o presidente que pensa em se reeleger, e sim em governar por quatro anos”, disse à época.
A confirmação ocorre em um momento de recuperação da popularidade do governo. Segundo a pesquisa Quaest, divulgada neste mês, Lula atingiu o melhor patamar de aprovação de 2025, após avanços em programas sociais e econômicos.
Internamente, líderes do PT e aliados veem a candidatura como natural, diante da falta de um sucessor competitivo dentro do partido.
Durante a viagem, Lula assina acordos de cooperação com a Indonésia nas áreas de energia, biodiversidade e tecnologia. Já na Malásia, a principal pauta será o encontro com Donald Trump, que deve tratar de tarifas comerciais impostas ao Brasil — em especial sobre carne, café e aço.
O Palácio do Planalto também espera abordar temas de segurança regional, como os ataques norte-americanos a embarcações venezuelanas e o risco de uma escalada militar no país vizinho.
Fazem parte da comitiva oficial os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Com o anúncio, Lula entra oficialmente no tabuleiro eleitoral de 2026, antecipando o debate sobre alianças, sucessão e continuidade do projeto petista no Planalto — e consolidando sua presença como principal liderança política do país.