Durante visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (23) o uso de moedas locais nas transações comerciais entre os dois países e dentro do bloco Brics. Lula citou o Pix brasileiro e o sistema QRIS indonésio como exemplos de tecnologias capazes de inspirar uma nova era de pagamentos internacionais sem depender do dólar.
“No âmbito do Brics, o Pix brasileiro e o QRIS indonésio oferecem modelos eficazes e acessíveis de pagamento, que podem inspirar medidas para facilitar o comércio em moedas locais”, afirmou Lula durante o Fórum Empresarial Brasil–Indonésia, em Jacarta.
O presidente explicou que o objetivo é diversificar parcerias, reduzir custos e tornar o comércio internacional menos dependente de moedas estrangeiras.
Mais cedo, em declaração conjunta com o presidente indonésio Prabowo Subianto, Lula reforçou o apelo por “liberdade no uso das próprias moedas”, afirmando que o século XXI exige coragem para mudar práticas econômicas do passado.
“Queremos comércio livre e justo, e que Brasil e Indonésia possam negociar com suas próprias moedas”, declarou Lula.
O tema também se conecta ao debate mais amplo sobre o Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e que tem buscado mecanismos alternativos ao dólar em suas transações.
Lula destacou que a parceria entre os dois países tem grande potencial em áreas estratégicas, como minerais críticos, bioenergia e descarbonização do transporte marítimo.
O presidente adiantou que o Brasil apresentará na COP30, em Belém, uma proposta para quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis, com foco na bioenergia e no etanol.
“Podemos criar juntos um mercado global de biocombustíveis. O etanol é uma alternativa viável e imediata”, afirmou.
Lula lembrou que o Brasil detém 10% das reservas mundiais de minerais críticos, fundamentais para a transição energética, e que apenas 30% de seu potencial mineral está mapeado. Segundo ele, o país seguirá o exemplo da Indonésia ao incentivar o processamento interno do minério, agregando valor e gerando empregos de qualidade.
O presidente agradeceu o apoio da Indonésia ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa que será lançada na COP30 com investimento inicial de US$ 1 bilhão do Brasil. O fundo financiará países que mantêm suas florestas em pé, como Indonésia, Congo e nações amazônicas.
“Com esse fundo, ninguém mais vai precisar pedir recursos para preservar o meio ambiente. Vamos gerar renda e dividendos para quem protege as florestas”, disse Lula.
Lula também destacou o papel do Brasil na segurança alimentar global, citando o potencial de cooperação com o programa indonésio Refeição Nutritiva Gratuita.
No campo da defesa, mencionou o interesse da Força Aérea da Indonésia em aeronaves brasileiras como o Super Tucano, e a possibilidade de ampliar acordos na aviação civil e militar.
Com o discurso em Jacarta, Lula reforçou a estratégia brasileira de aprofundar laços econômicos com a Ásia e promover uma nova arquitetura financeira global mais inclusiva.
“O setor privado é quem transformará afinidade diplomática em prosperidade compartilhada”, resumiu o presidente.