Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (22) novas sanções contra as duas maiores petrolíferas da Rússia, Rosneft e Lukoil, em resposta à continuidade da guerra na Ucrânia. A decisão foi comunicada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, que acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de “financiar a máquina de guerra do Kremlin” com receitas do petróleo.
As restrições bloqueiam todos os bens e ativos das empresas em território americano e de pessoas sob jurisdição dos EUA. A medida marca o primeiro grande pacote de sanções da nova gestão Trump e amplia o isolamento econômico de Moscou.
“Agora é o momento de parar o derramamento de sangue e estabelecer um cessar-fogo imediato”, afirmou Bessent. O secretário disse ainda que, como Putin se recusa a encerrar "essa guerra sem sentido", os EUA vão sancionar as empresas que sustentam o conflito.
As penalidades também atingem dezenas de subsidiárias e preveem novas restrições comerciais a empresas que negociem petróleo russo por meio de países intermediários, como Índia e China.
O anúncio veio horas depois de Trump afirmar que as negociações diretas com Putin “não levam a lugar nenhum”.
Um dia depois, a União Europeia anunciou seu 19º pacote de sanções contra a Rússia, ampliando o cerco diplomático e financeiro.
As medidas afetam bancos, bolsas de criptomoedas e empresas ligadas ao comércio russo na Índia e na China, além de proibir completamente as importações de gás natural liquefeito (GNL) a partir de 1º de janeiro de 2027.
A alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, afirmou que a meta é restringir a capacidade de Putin de financiar a guerra.
“A Rússia terá cada vez mais dificuldade para sustentar seu esforço militar”, declarou.
O pacote também mira a chamada “frota fantasma”, composta por mais de 100 navios russos usados para burlar sanções, e restringe a exportação de tecnologias sensíveis como inteligência artificial e dados geoespaciais.
Com os anúncios, o petróleo disparou no mercado internacional. O barril do Brent subiu mais de 5%, chegando a US$ 65,75, enquanto o WTI avançou 5%, cotado a US$ 61,49.
Analistas afirmam que o impacto das sanções dependerá da adesão da Índia e de outros grandes compradores de petróleo russo.
A Rússia reagiu com dureza. O ex-presidente Dmitry Medvedev, atual vice do Conselho de Segurança, declarou que os EUA entraram de vez no caminho da guerra e que Trump se alinhou completamente à Europa insana. Em paralelo, Moscou realizou um exercício militar com mísseis balísticos capazes de carregar ogivas nucleares — numa clara demonstração de força.
O governo russo classificou as medidas como “um ato de guerra econômica” e prometeu retaliações proporcionais.
As sanções reforçam o endurecimento da postura ocidental diante da guerra, que entra no quarto ano sem perspectiva de cessar-fogo.
Enquanto Washington pressiona economicamente Moscou, o impacto global recai sobre o mercado de energia, com alta no petróleo e tensões renovadas nas bolsas mundiais.