
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta quinta-feira (23) que o governo Donald Trump não apoia e não permitirá a anexação israelense da Cisjordânia ocupada. A declaração veio um dia após parlamentares israelenses apresentarem um projeto de lei com esse objetivo.
Vance falou a jornalistas em Tel Aviv, onde cumpre agenda oficial, e reforçou que a proposta poderia colocar em risco o plano de paz norte-americano para encerrar o conflito em Gaza.
A declaração ecoa o alerta feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que disse que um avanço sobre a Cisjordânia comprometeria o cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o grupo palestino Hamas.
O ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, respondeu que o governo não pretende acelerar a votação do projeto neste momento, para não afetar o plano de reconstrução de Gaza articulado pelos Estados Unidos.
A proposta aprovada em primeira votação pelo Parlamento israelense prevê a aplicação da lei israelense sobre a Cisjordânia, o que equivaleria, na prática, a anexar o território ocupado desde a guerra de 1967.
Mais de 400 mil colonos israelenses vivem hoje em assentamentos espalhados pelo território, que a ONU e grande parte da comunidade internacional consideram ilegais sob o direito internacional.
Israel, no entanto, sustenta que a região tem valor histórico e religioso e a classifica como território disputado, rejeitando a criação de um Estado palestino independente.
A posição de Washington ocorre em meio a um frágil cessar-fogo em Gaza, após dois anos de guerra que deixaram mais de 68 mil mortos, segundo autoridades do enclave palestino.
O ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1,2 mil pessoas, desencadeou a ofensiva israelense.
O Departamento de Estado confirmou que a visita de Marco Rubio a Israel tem como objetivo garantir a aplicação do plano de 20 pontos proposto por Trump, voltado à reconstrução, estabilidade e eventual criação de um Estado palestino viável.
“O século XXI exige coragem para buscar soluções diplomáticas, não novas ocupações”, disse Vance, ao reafirmar o compromisso americano com uma solução de dois Estados.
Com o alerta dos Estados Unidos e a pressão internacional, o governo israelense enfrenta um novo impasse político interno — entre os que defendem a anexação e os que temem romper o frágil equilíbrio obtido em Gaza.