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EUA dizem ter matado seis em novo ataque a navio no Caribe
Secretário de Defesa afirma que embarcação pertencia ao Tren de Aragua; ação faz parte de campanha que já atingiu dez barcos
24/10/2025 17h49
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Foto: Reprodução

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (24) que um ataque contra um suposto navio de drogas no Mar do Caribe matou seis pessoas, em mais uma ação da campanha antidrogas ordenada pela administração do presidente Donald Trump. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que a embarcação era ligada à gangue Tren de Aragua e que a operação foi a primeira realizada à noite na série de ataques iniciada em setembro.

Em postagem na rede social X, Hegseth disse que, segundo a inteligência americana, o barco “transitava por uma rota conhecida de narcotráfico e transportava narcóticos”. O secretário afirmou ainda que nenhuma força americana ficou ferida durante o ataque. Não há detalhes públicos sobre o método empregado para atingir a embarcação.

A campanha dos EUA contra o que Washington classifica de “narcoterroristas” vem incluindo ataques a embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico; autoridades americanas informaram que, ao todo, dez embarcações já foram alvos, sendo duas delas no Pacífico. Reportagens prévias apontam que quase 40 pessoas haviam morrido em ações anteriores. Em ao menos um episódio, dois supostos tripulantes sobreviveram e foram resgatados pela Marinha dos EUA antes de serem repatriados.

O presidente Donald Trump reiterou que não considera necessária uma declaração formal de guerra para autorizar operações contra cartéis e disse que, se preciso, “vai matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país”. A retórica provocou reação na região: o presidente venezuelano Nicolás Maduro alertou que uma intervenção americana poderia provocar forte resistência popular e agravar a instabilidade regional.

Analistas e diplomatas apontam que as ações têm elevado a tensão entre os Estados Unidos e países vizinhos, e também suscitam questões sobre direito internacional e a legalidade de operações militares em águas internacionais quando há vítimas civis ou falta de transparência das autoridades americanas. O Pentágono tem divulgado informações pontuais, mas não ofereceu um relatório detalhado sobre os critérios de seleção de alvos, a inteligência que amparou as operações ou a cadeia de custódia dos sobreviventes.

Com a série de ataques já em curso, a expectativa é de que o governo americano preste mais esclarecimentos ao Congresso, enquanto países da região e organismos internacionais monitoram os riscos de escalada. A ofensiva marca uma mudança notável na abordagem dos EUA ao tráfico internacional — de ações policiais e de cooperação a operações militares diretas — e amplia o debate sobre eficácia, alcance e consequências humanitárias dessas medidas.