A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que os Estados Unidos interrompam imediatamente os ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, realizados sob o pretexto de combate ao tráfico de drogas. O alerta foi feito nesta sexta-feira (31) pelo alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, que classificou as ações como “inaceitáveis” e contrárias ao direito internacional.
Segundo Türk, mais de 60 pessoas teriam morrido desde setembro em operações conduzidas por forças norte-americanas. Ele afirmou que o uso de força letal só pode ser aplicado como último recurso e cobrou investigações rápidas, independentes e transparentes sobre os casos.
“Os EUA devem interromper imediatamente essas ações e garantir que nenhuma pessoa seja executada extrajudicialmente, independentemente das acusações feitas contra ela”, declarou o comissário.
O representante da ONU destacou que o combate ao tráfico de drogas deve seguir os limites do direito internacional dos direitos humanos, e não normas de guerra, como argumenta Washington. Ele lembrou que os EUA são signatários de tratados que estabelecem padrões rígidos para o uso da força em operações civis.
Em paralelo, o presidente Donald Trump negou que planeje ataques militares em território venezuelano, após a divulgação de reportagens do Wall Street Journal e do Miami Herald que citaram estudos do governo americano para bombardear bases militares do regime de Nicolás Maduro.
Questionado por repórteres sobre o assunto, Trump respondeu apenas “não”. A negativa contrasta com a crescente presença militar dos EUA na região, onde porta-aviões e caças têm realizado manobras próximas à costa da Venezuela — o que Caracas classifica como uma tentativa de “mudança de regime”.
O governo de Nicolás Maduro denunciou à ONU que as operações americanas violam a soberania venezuelana e colocou as Forças Armadas em estado de alerta. Já o Brasil, segundo o Itamaraty, se ofereceu para atuar como mediador entre os dois países, defendendo que “a América do Sul é uma região de paz”.