O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se reuniu nesta segunda-feira (3) com o governador Cláudio Castro e autoridades de segurança do Rio de Janeiro, após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que terminou com 121 mortos, entre eles quatro policiais.
O encontro ocorreu a portas fechadas, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), e durou quase duas horas.
A reunião tratou da preservação das provas e perícias, determinada por Moraes no fim de semana.
O ministro ordenou que o governo do Rio mantenha todos os elementos materiais da operação, garantindo acesso à Defensoria Pública e ao Ministério Público para acompanhamento das investigações.
Horas antes da reunião, o governo divulgou imagens de drones e câmeras corporais que mostram policiais em confronto com o Comando Vermelho, além de uma lista com 115 mortos, dos quais 97 tinham passagens criminais, segundo a Polícia Civil.
A gestão estadual afirma que as imagens provam a regularidade da ação e o “heroísmo dos agentes”, enquanto entidades de direitos humanos questionam a letalidade e a falta de transparência da operação.
Enquanto isso, em Brasília, o Senado Federal instalou nesta segunda-feira (3) a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que vai investigar facções como o PCC e o Comando Vermelho.
O senador Otto Alencar (PSD-BA) conduz a sessão de instalação, e Alessandro Vieira (MDB-SE) deve ser o relator dos trabalhos.
A CPI terá 120 dias de duração e vai apurar o funcionamento e a expansão das organizações criminosas em todo o país.
Fora do país, um vídeo obtido por autoridades mostra o uruguaio Sebastián Marset, um dos traficantes mais procurados do mundo, ao lado de líderes do PCC na Bolívia, prometendo uma “guerra nas fronteiras do Brasil”.
Apontado como braço logístico do PCC na rota Bolívia–Brasil–Paraguai–Europa, Marset aparece armado e cercado de aliados.
“Melhor sermos amigos do que inimigos. Quem escolhe a guerra com a gente não se dá bem”, diz o traficante no vídeo.