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Governo do Rio prepara novas fases da Operação Contenção
O foco agora é político e financeiro do Comando Vermelho; Plano de retomada de territórios deve ser entregue ao STF até 20 de dezembro; bloqueio de R$ 6 bilhões em bens é solicitado
05/11/2025 19h18
Por: Redação
Foto: Reprodução

O governo do Rio de Janeiro prepara novas fases da Operação Contenção, agora voltadas para os braços político e financeiro do Comando Vermelho (CV). A ação, deflagrada em 28 de outubro, deixou 121 mortos e entrou para a história como a mais letal já registrada no estado.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, as investigações buscam rastrear movimentações financeiras e conexões da facção com empresários e políticos, a partir de relatórios já encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF). O governo fluminense afirma ter solicitado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens ligados ao crime organizado.

Entre os nomes sob investigação estão empresários, políticos locais e agentes públicos suspeitos de intermediar contratos e investimentos para o CV. O caso de Tiego Raimundo dos Santos, ex-deputado estadual preso em setembro, é considerado um exemplo do alcance político da facção.


Plano de retomada de territórios

Cumprindo determinação do Supremo no âmbito da ADPF 635, o governo estadual elabora um plano de retomada de comunidades dominadas por facções, que deve ser entregue ao STF e ao Ministério Público até 20 de dezembro.

O projeto-piloto começará pela zona oeste da capital, abrangendo Jacarepaguá, Vargens, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes — regiões apontadas como de maior expansão do Comando Vermelho, após a perda de espaço das milícias.

Santos defende que o termo “ocupação” seja substituído por “retomada”, argumentando que não há efetivo nem orçamento para repetir o modelo das antigas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

“Nenhum estado do Brasil tem condições de manter ocupações permanentes. Precisamos retomar o controle com inteligência e integração”, afirmou o secretário.

Ele também declarou que o orçamento atual da Segurança Pública não é suficiente para a execução plena do plano e defende recursos adicionais do Fundo Nacional de Segurança Pública.


Repercussão e divisão de opiniões

A Operação Contenção segue dividindo opiniões entre os cariocas. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 1º de dezembro, 57% dos moradores da capital e da região metropolitana consideram a operação um sucesso, sendo 38% de aprovação total e 18% parcial. Outros 39% classificaram a ação como fracasso, e 4% não souberam opinar.

Na esfera política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação como uma “matança desastrosa”, gerando reações no Congresso. Deputados da oposição acusaram o presidente de desrespeitar os policiais mortos na ação.


Próximos passos e contexto nacional

Enquanto o Rio de Janeiro planeja novas ações contra o crime organizado, projetos de segurança pública tramitam no Congresso Nacional, incluindo:

As medidas são vistas como respostas diretas ao avanço das facções e ao impacto político e social da Operação Contenção.