
Cinco policiais militares de Goiás estão sendo investigados por desvio de cargas ilegais, lavagem de dinheiro, agiotagem e formação de quadrilha, segundo informações confirmadas pela Polícia Militar e pela Polícia Federal. Os agentes, que atuavam no interior do estado, foram afastados das funções após a deflagração da Operação Scutum, realizada nesta terça-feira (4) em Mineiros (GO) e Londrina (PR).
De acordo com o comandante-geral da PMGO, coronel Marcelo Granja, o sistema de rastreamento das viaturas foi decisivo para identificar os desvios. As investigações apontam que cargas apreendidas durante fiscalizações — com produtos como eletrônicos, cigarros e agrotóxicos — desapareciam sem registro de ocorrência.
“As viaturas tinham localização monitorada, e conseguimos identificar quem realizava as abordagens. Em várias situações, os materiais apreendidos não eram entregues à Polícia Federal ou à Civil, como determina o protocolo”, afirmou o coronel.
Os policiais investigados organizaram festas agropecuárias e frequentavam camarotes de luxo, o que despertou suspeitas por não condizer com o padrão salarial e a rotina de trabalho dos militares. Segundo a corporação, o comportamento chamou atenção após denúncias internas e cruzamento de dados com relatórios de inteligência.
Além dos militares, empresas e civis também são investigados por participação no esquema, que envolvia revenda de cargas contrabandeadas e uso de empresas de fachada e “laranjas” para movimentar o dinheiro ilícito.
A Operação Scutum foi deflagrada em ação conjunta entre a Polícia Federal e a Polícia Militar de Goiás, com 16 mandados de busca e apreensão. Nenhuma prisão foi decretada até o momento, mas a Justiça Federal determinou o afastamento cautelar dos cinco policiais.
Os suspeitos podem responder por crimes como:
Corrupção passiva
Facilitação de contrabando e descaminho
Lavagem de dinheiro
Agiotagem
Extorsão
Associação criminosa
Em nota, a Polícia Militar de Goiás informou que a investigação começou após denúncias internas e que a Corregedoria da PM acompanhou todas as diligências da operação.
“A Corregedoria acompanhou presencialmente todas as ações e adotará as medidas administrativas cabíveis, conforme a legislação vigente e os princípios de ética e disciplina da instituição”, diz o comunicado.
O material apreendido durante as buscas será analisado pela Polícia Judiciária, que dará sequência às diligências e à coleta de novos depoimentos.