Quatro advogados suspeitos de ligação com o Comando Vermelho foram presos nesta quinta-feira (6) em Manaus, durante a Operação Roque, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/AM).
De acordo com a Polícia Federal, os profissionais atuavam dentro do sistema prisional, facilitando a comunicação entre líderes da facção e integrantes em liberdade.
A operação também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em residências e escritórios ligados aos investigados. Foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos e dinheiro em espécie, que agora passam por análise pericial.
Segundo a PF, os advogados usavam as prerrogativas da profissão para mascarar trocas de mensagens e repasses financeiros ilícitos, ajudando a manter a estrutura e a hierarquia do grupo criminoso dentro e fora dos presídios.
“Profissionais com acesso privilegiado ao sistema prisional vinham replicando ordens e deliberações estratégicas da facção, simulando atos de advocacia para ocultar comunicações ilícitas”, informou a corporação.
Os investigados também são apontados por intermediar comunicações de caráter interestadual e transnacional, que garantiam a continuidade das ordens do CV, inclusive relacionadas a represálias e movimentação de recursos.
A ação é um desdobramento da Operação Xeque-Mate, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho com ajuda de contadores, e também da Operação Torre, deflagrada em 2024, que resultou na apreensão de mais de duas toneladas de drogas em Manaus.
Segundo a PF, as investigações apontam para uma rede estruturada de lavagem de capitais, com uso de empresas de fachada, fintechs e intermediários para disfarçar lucros ilícitos.
A Ficco/AM é composta por diversos órgãos de segurança pública: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Civil e Militar do Amazonas, além de secretarias de segurança, inteligência e administração penitenciária.
O objetivo é fortalecer o combate ao crime organizado e às facções que operam dentro dos presídios na Região Norte.