Internacional Mundo
EUA matam seis em dois novos ataques no Pacífico
Com novas ações militares, ao menos 75 pessoas já morreram na região; governo americano alega combate ao narcotráfico, sem apresentar provas
10/11/2025 16h24
Por: Redação
Foto: Reprodução

Os Estados Unidos realizaram dois novos ataques aéreos no Oceano Pacífico no domingo (9), matando seis pessoas, segundo anunciou nesta segunda (10) o chefe do Pentágono, Pete Hegseth.

Com a nova ofensiva, já são pelo menos 75 mortos em ações americanas na região nos últimos meses.

Hegseth publicou nas redes sociais um vídeo das operações, afirmando que as embarcações atacadas transportavam drogas — acusação que não foi comprovada em nenhuma das ações anteriores.

“Ambos os ataques ocorreram em águas internacionais, com três narcoterroristas do sexo masculino a bordo de cada embarcação. Todos foram mortos. Nenhuma força norte-americana foi ferida”, escreveu o secretário de Defesa.

“Sob a liderança do presidente Donald Trump, estamos protegendo nossa pátria e eliminando esses terroristas de cartéis que desejam causar dano ao nosso povo.”

 

Reação internacional

O ataque coincidiu com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a 4ª Cúpula UE-Celac, na Colômbia, onde o brasileiro criticou as ofensivas militares dos EUA sem citar diretamente Washington.

“Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, afirmou Lula.

O evento teve baixa presença de chefes de Estado, em meio ao temor de represálias do governo Trump, que recentemente impôs sanções ao presidente colombiano Gustavo Petro.

 

Ataques e legalidade internacional

Segundo especialistas em direito internacional, ações letais contra pessoas fora de zonas de conflito são ilegais, a menos que haja ameaça iminente comprovada. Nenhum dos alvos dos ataques americanos foi interceptado ou interrogado, e Washington não apresentou provas de envolvimento com o tráfico.

A escalada militar dos EUA é vista como pressão direta sobre o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, que Trump acusa de liderar uma rede de narcotráfico conhecida como Cartel de los Soles — cuja existência é contestada por analistas.

Na semana passada, Trump disse à emissora CBS que “os dias de Maduro estão contados”, descartando uma guerra formal, mas sinalizando apoio a uma mudança de regime no país vizinho.