
O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy, de 70 anos, deixou nesta segunda-feira (10) o presídio de La Santé, em Paris, após cumprir menos de três semanas de prisão. Ele havia sido condenado em setembro a cinco anos de reclusão, por financiamento ilegal de campanha eleitoral com recursos da Líbia, durante o regime do ditador Muammar Kadhafi.
A Corte de Apelações francesa concedeu liberdade provisória a Sarkozy, que agora aguardará em liberdade o julgamento do recurso apresentado por sua defesa. A decisão não tem data definida.
A Justiça determinou que Sarkozy permaneça sob supervisão judicial, com vistorias periódicas e proibição de deixar o território francês. Ele também está impedido de manter contato com pessoas ligadas ao processo, já que durante o julgamento foi acusado de tentar pressionar testemunhas.
Em depoimento por videoconferência, Sarkozy disse que a prisão foi “muito dura”.
“É difícil, muito difícil — certamente para qualquer prisioneiro. Eu diria até que é implacável. Agradeço aos funcionários da prisão que tornaram este pesadelo suportável”, declarou o ex-presidente.
O ex-presidente foi considerado culpado por associação criminosa em um caso que investigou por mais de uma década o suposto repasse de milhões de euros do governo líbio para a campanha presidencial de 2007, que o elegeu presidente da França.
Segundo o Ministério Público francês, Sarkozy teria prometido apoio político e militar a Kadhafi em troca do financiamento. O então ditador buscava melhorar sua imagem internacional após acusações de envolvimento em atentados terroristas nas décadas anteriores.
O ex-presidente nega todas as acusações e afirma ser vítima de perseguição judicial.
Durante sua prisão, disse que “dormiria de cabeça erguida”.
Outros 11 réus também foram julgados.
O ex-ministro Claude Guéant foi condenado por corrupção, e Brice Hortefeux, outro aliado político de Sarkozy, por associação ilícita.
O tesoureiro da campanha, Éric Woerth, foi absolvido.
O processo teve como base testemunhos de ex-dirigentes líbios, transferências de dinheiro, e os cadernos do ex-ministro do Petróleo líbio Shukri Ghanem, encontrado morto em 2012 em Viena.
Kadhafi foi derrubado e morto em 2011 durante a Primavera Árabe, em operação militar apoiada pela Otan e liderada justamente pela França.
Esta não é a primeira condenação de Sarkozy. Em outro processo, conhecido como “caso das escutas”, ele já havia recebido pena de um ano de prisão por corrupção e tráfico de influência, mas cumpriu em regime aberto com tornozeleira eletrônica.