Internacional COP30
Confronto na COP30: grupo ultrapassa barreiras e causa tumulto
Manifestantes atravessaram áreas de responsabilidade estadual e federal; invasão expõe divergências entre governo, ONU e autoridades locais sobre segurança do evento
12/11/2025 20h24
Por: Redação
Foto: Reprodução

Manifestantes atravessaram áreas de responsabilidade estadual e federal até alcançar a blue zone, gerando confronto e obrigando mudanças temporárias no acesso

A invasão de um grupo de manifestantes à blue zone — área mais sensível e restrita da COP30, onde ocorrem as negociações oficiais entre países — provocou uma troca de acusações entre autoridades brasileiras e a ONU, responsável pela organização do evento. O episódio aconteceu na noite de terça-feira (11) e terminou em confronto com seguranças, ferindo dois agentes e danificando parte da estrutura.

O ponto central da controvérsia é o trajeto percorrido pelos manifestantes. O grupo iniciou o protesto em uma área controlada pelo governo do Pará, seguiu para trechos de responsabilidade do governo federal, e atravessou o perímetro até atingir a entrada da blue zone, que é administrada exclusivamente pela UNFCCC, o braço da ONU responsável pelas COPs. A sucessão de áreas sob diferentes jurisdições alimentou um cabo de guerra sobre quem deveria ter contido o avanço.

 

Críticas à política de “portas abertas” para manifestações

Agentes de segurança ouvidos pela CNN afirmaram que houve falhas no controle de acesso e responsabilizaram o Palácio do Planalto e a presidência da COP por adotarem uma postura considerada “excessivamente permissiva” com protestos durante o evento. As equipes relatam que, desde a abertura da conferência, discursos oficiais reforçaram que manifestações seriam bem-vindas como forma de pressionar negociadores.

Um ponto destacado foi a entrada livre na green zone, área destinada à sociedade civil e administrada pelo governo federal. Diferentemente de outras edições da COP, não é exigido credenciamento prévio para circular pela green zone — medida vista por parte das forças de segurança como um facilitador para manifestações de grande porte.

 

Governo federal diz que responsabilidade é da ONU

O governo federal negou qualquer responsabilidade pela invasão, argumentando que o confronto ocorreu exatamente na entrada da blue zone — área cuja segurança não é compartilhada com autoridades brasileiras.

Em nota, afirmou:

“A questão da segurança da COP30 é de responsabilidade da UNFCCC. Qualquer dúvida ou solicitação deve ser direcionada diretamente à equipe da UNFCCC.”

Segundo fontes do Planalto, toda a supervisão do acesso à blue zone, inclusive o reforço de controle, é conduzida pela própria ONU.

 

ONU abre investigação e muda temporariamente acesso

A UNFCCC confirmou que está realizando uma investigação interna sobre o ataque. Além dos ferimentos em dois seguranças, a entidade citou danos leves na infraestrutura do local e disse que medidas de proteção foram tomadas imediatamente após o incidente.

A ONU também determinou uma mudança emergencial: o portão utilizado no momento da invasão — que funcionava como entrada oficial da blue zone desde a semana passada — foi temporariamente fechado. O acesso só seria reaberto às 19h desta quarta-feira (12), obrigando delegações e negociadores a utilizarem um trajeto alternativo.

Por ora, essa é a única mudança concreta decorrente do episódio, embora tenha exposto fragilidades na articulação entre os diferentes órgãos envolvidos na segurança da COP30.

 

Clima de tensão aumenta antes da Marcha Mundial pelo Clima

A invasão ocorre em um momento em que Belém se prepara para o período mais crítico da conferência, marcado por protestos organizados de grande escala. No domingo (16), está prevista a Marcha Mundial pelo Clima, que deve reunir pelo menos 20 mil pessoas. A expectativa é que as forças de segurança reforcem o monitoramento em todas as zonas da COP.

Apesar do incidente, autoridades afirmam que o diálogo com os organizadores das manifestações tem sido “positivo” e constante nas últimas semanas. A intenção é evitar novos episódios de invasão ou confronto físico.

A própria organização da Marcha pela Saúde e Clima, que havia ocorrido horas antes da invasão, divulgou nota afirmando que não tem relação com o grupo que avançou sobre a área restrita:

“A marcha foi um sucesso de público, reunindo milhares de pessoas, e teve ampla participação de entidades da saúde e da sociedade civil. Os atos ocorridos após o término do evento não fazem parte da nossa organização.”

 

O que está em jogo

A discussão sobre a responsabilidade pela invasão evidencia um ponto sensível: a COP30 acontece em um ambiente urbano complexo, com diferentes áreas de controle — estadual, federal, militar e internacional. A dificuldade em delimitar claramente os limites de atuação de cada órgão tem sido apontada, desde a preparação do evento, como um dos maiores desafios logísticos da conferência realizada pela primeira vez na Amazônia.

A expectativa agora é que ONU, governo federal e estado do Pará reforcem a coordenação de vigilância, especialmente diante do cronograma crescente de manifestações previstas para os próximos dias.