
Uma ponte recém-inaugurada desabou parcialmente na terça-feira (12) na província de Sichuan, no sudoeste da China, apenas alguns meses após sua conclusão. Segundo o governo local, não há registro de vítimas, já que a estrutura havia sido interditada horas antes do colapso devido a riscos detectados na região.
A ponte Hongqi, com 758 metros de extensão, integra uma rota estratégica que conecta áreas montanhosas do interior da China ao planalto do Tibete — uma região considerada sensível tanto do ponto de vista geográfico quanto político. O colapso ocorreu próximo à cidade de Maerkang, em uma área marcada por terrenos instáveis e frequentes deslizamentos.
De acordo com a prefeitura de Maerkang, a ponte foi fechada ao tráfego na tarde de segunda-feira (11), depois que equipes técnicas identificaram:
Rachaduras em encostas próximas,
Fissuras em trechos da estrada de acesso,
Sinais de movimentação do solo em áreas montanhosas que circundam a estrutura.
Mesmo interditada, autoridades mantiveram equipes monitorando o local. Na manhã de terça-feira, as condições geológicas se deterioraram rapidamente, provocando deslizamentos que comprometeram pilares e partes da via — resultando no colapso.
A ponte Hongqi foi finalizada no início de 2025, segundo publicações da construtora responsável, a Sichuan Road & Bridge Group, uma das maiores empresas estatais chinesas de infraestrutura. Vídeos divulgados nas redes sociais mostravam a entrega da obra como parte de um conjunto de melhorias rodoviárias para a região de Sichuan.
Agora, autoridades provinciais investigam:
possíveis falhas de projeto ou construção;
impactos das condições geológicas da região;
nível de monitoramento adotado antes da interdição;
risco de novos deslizamentos nas áreas adjacentes.
Sichuan é uma das províncias mais suscetíveis a terremotos e desastres geológicos na China. A combinação de:
solo frágil,
inclinações acentuadas,
chuvas intensas,
e histórico de sismos,
cria um ambiente de risco constante para grandes obras de infraestrutura.
Nos últimos anos, o governo chinês ampliou a construção de pontes, túneis e autoestradas em regiões remotas e montanhosas para melhorar a conectividade com áreas estrategicamente importantes, como o Tibete. O colapso da ponte Hongqi reacende o debate sobre os limites da engenharia diante de terrenos instáveis e da necessidade de fiscalização rigorosa nessas áreas.