No mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou mais uma fase da Operação Sem Desconto, a CPMI do INSS realizou uma nova oitiva nesta quinta-feira (13) e classificou o avanço das investigações como um golpe direto no “núcleo principal” do megaesquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que as prisões autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) atingem a cúpula responsável por anos de fraudes envolvendo associações que realizavam cobranças não autorizadas. Para ele, a fase atual confirma o alcance e a profundidade do esquema.
O depoimento do dia foi do advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios André Fidelis — preso nesta quinta. Requerimentos citam que Eric movimentou mais de R$ 10 milhões durante o período das fraudes investigadas pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
A CPMI também analisou pedidos de prisão preventiva, entre eles o do empresário Igor Dias Delecrode, suspeito de integrar o núcleo financeiro do grupo. Além disso, discutiu novas convocações, incluindo o deputado estadual Edson Araújo (PSB) e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), ambos alvos de mandados de busca e apreensão na operação de hoje.
Em paralelo às investigações, o governo federal segue devolvendo os valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas. O prazo para contestação dos débitos foi prorrogado até 14 de fevereiro de 2026 e pode ser feito pelo aplicativo Meu INSS, pela central 135 ou presencialmente nos Correios.
A CPMI volta a se reunir na próxima semana e deve votar novos requerimentos antes da apresentação do relatório final, que pretende propor mudanças legais para impedir que fraudes semelhantes voltem a ocorrer.