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Ex-nora de Lula é alvo de operação da PF que apura influência no FNDE
Investigação aponta que Carla Ariane Trindade teria atuado para favorecer empresa suspeita de fraudes em licitações na área da educação
13/11/2025 20h26
Por: Redação
Foto: Reprodução

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (12) mandado de busca e apreensão contra Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula, sob suspeita de intermediar interesses de uma empresa investigada por superfaturamento e desvios em contratos financiados pelo FNDE, órgão vinculado ao Ministério da Educação.

Carla Trindade foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva e, segundo a PF, era tratada como “pessoa com influência no governo federal” por empresários ligados à Life Tecnologia Educacional, alvo da Operação Coffee Break. A investigação aponta que ela viajou pelo menos duas vezes a Brasília com passagens pagas pelo dono da empresa, André Mariano, para defender demandas da companhia junto ao FNDE e outros órgãos públicos.

A Life, que fornece materiais e serviços educacionais a prefeituras, é investigada por supostos desvios, superfaturamento e fraudes em processos licitatórios em municípios do interior paulista. Só em Sumaré (SP), a PF identificou repasses de cerca de R$ 52 milhões entre 2021 e 2023 — período que atravessa os governos Bolsonaro e Lula — com pagamentos mantidos em 2024. Em uma das buscas, agentes apreenderam R$ 2,1 milhões em espécie.

A operação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União, cumpriu 50 mandados nos estados de São Paulo, Paraná e Distrito Federal. Segundo comunicado da CGU, há indícios de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, superfaturamento e tráfico de influência.

A presidente do FNDE, Fernanda Mara Pacobahyba, teve ao menos duas reuniões registradas em agenda oficial com Mariano — em dezembro de 2023 e maio de 2024. O órgão afirmou que os encontros não resultaram em decisões administrativas e que o FNDE não contrata diretamente fornecedores de material didático, limitando-se a repassar recursos a estados e municípios.

Outro alvo da operação é Kalil Bittar, irmão de Fernando Bittar, coproprietário do sítio de Atibaia citado na Lava Jato. Segundo a PF, ele teria atuado na prospecção de negócios da Life e recebido transferências bancárias da empresa. Em um dos contatos, Bittar teria discutido detalhes de um edital em Hortolândia antes mesmo de sua publicação.

A Secretaria de Imprensa do Planalto não se manifestou. A defesa de Carla Ariane Trindade informou que só comentará o caso após acesso aos autos. A reportagem não localizou representantes da Life nem a defesa de Kalil Bittar.

Com a primeira etapa da Operação Coffee Break concluída, a PF segue analisando documentos e movimentações financeiras para identificar eventuais conexões entre agentes públicos e contratos da área educacional. Novas fases da investigação não estão descartadas.