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Três funcionários da Equatorial são indiciados por morte
Polícia conclui que houve negligência no manejo da rede elétrica após rompimento de cabos; jovem de 17 anos morreu ao pisar em área alagada durante temporal em Goiânia
14/11/2025 16h47 Atualizada há 11 meses
Por: Redação
Foto: Reprodução

A Polícia Civil indiciou três funcionários da Equatorial Energia Goiás pela morte de Nathaly Rodrigues do Nascimento, de 17 anos, eletrocutada em setembro após encostar em um cabo energizado que havia caído durante um temporal no Centro de Goiânia. Eles responderão por homicídio culposo e lesão corporal culposa.

Nathaly voltava do trabalho e seguia para Bonfinópolis para fazer uma prova quando foi atingida pela descarga elétrica na Rua 20. Ela e um colega atravessavam um trecho alagado quando o choque ocorreu. A adolescente morreu no local; o jovem que a acompanhava sofreu ferimentos graves, mas sobreviveu.

O inquérito conduzido pelo 1º Distrito Policial apontou que o rompimento de três cabos da rede, provocado pelos ventos fortes, havia sido identificado pela central de operações da concessionária cerca de 30 minutos antes da tragédia. Dois fios caíram no asfalto e ficaram submersos pela enxurrada; um terceiro permaneceu ativo.

Segundo a investigação, os dispositivos automáticos de proteção chegaram a desligar e religar o trecho diversas vezes, mas um operador assumiu o controle manual e restabeleceu a energia sem enviar equipe ao local para verificar a situação. Para a Polícia Civil, houve imprudência do operador e omissão dos outros dois responsáveis pela supervisão da rede.

O delegado Fernando Martins afirmou que o trio ignorou sinais de anomalia no sistema e não acionou técnicos de campo, mesmo com registros de curto-circuito minutos antes do acidente. Se condenados, podem pegar até cinco anos de prisão.

Em nota, a Equatorial disse que ainda não teve acesso ao relatório final do inquérito e que as manobras executadas seguiram os protocolos técnicos do setor elétrico. A empresa afirma que a rede estava regular e que um laudo da polícia científica relaciona o incidente a “fatores externos”.

A família de Nathaly contesta a versão da distribuidora e diz nunca ter recebido contato da empresa. Os pais, Daiane e Junio, afirmam que seguem em luto e buscam justiça. “Minha filha tinha sonhos. Isso não foi acidente”, disse a mãe.

A família também ingressou com ação judicial contra a concessionária.

O Ministério Público deve analisar o inquérito nos próximos dias, enquanto a Equatorial aguarda acesso aos autos antes de se manifestar formalmente. A morte de Nathaly reacendeu o debate sobre segurança na rede elétrica em dias de tempestade.