
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (13) a operação militar “Lança do Sul”, uma ofensiva do Comando Sul para combater grupos ligados ao narcotráfico na América Latina. O anúncio foi feito pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, em meio à pressão política sobre Donald Trump após a divulgação de novos e-mails relacionados ao caso Jeffrey Epstein.
Hegseth afirmou que a missão tem como objetivo “defender a pátria, retirar narcoterroristas do hemisfério ocidental e proteger os EUA das drogas”. A postagem foi feita na plataforma X, onde o secretário disse cumprir uma ordem direta do presidente Trump e chamou o Pentágono de “Departamento de Guerra”, reforçando a retórica mais agressiva da atual gestão.
A operação será conduzida pelo Southcom, responsável por ações militares americanas em 31 países da América do Sul, América Central e Caribe. Até agora, o Departamento de Defesa não divulgou detalhes sobre escopo, locais de atuação, duração ou número de militares envolvidos.
A iniciativa ocorre em um contexto de escalada militar promovida por Washington desde setembro. Na última terça-feira (11), o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo, chegou à região acompanhado de uma frota de apoio. No mesmo dia, o regime de Nicolás Maduro mobilizou forças terrestres, aéreas e navais, aumentando o clima de tensão no Caribe.
Segundo o Pentágono, os Estados Unidos realizaram nesta semana o 20º ataque contra uma embarcação na América Latina desde o início das operações ampliadas. A ação mais recente ocorreu na segunda-feira (10), no Caribe, e deixou quatro mortos — todos classificados por Washington como “narcoterroristas”. Outras duas pessoas ficaram feridas e foram repatriadas.
Trump e autoridades americanas afirmam que as embarcações abatidas estariam envolvidas em tráfico internacional de drogas, mas nenhuma evidência foi apresentada publicamente. Ao menos 79 pessoas já morreram nessas ações militares autorizadas pelo governo americano.
A ofensiva tem gerado críticas até entre aliados tradicionais. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, disse que as operações violam o direito internacional. Em resposta, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que países europeus “não têm o direito de ditar como Washington defende sua segurança nacional”.
O anúncio da “Lança do Sul” ocorre apenas um dia depois de parlamentares democratas divulgarem e-mails atribuídos a Jeffrey Epstein, sugerindo que Trump tinha conhecimento dos abusos cometidos pelo bilionário e teria passado horas com uma das vítimas.
O tema é especialmente sensível para a base trumpista, que pressiona o Departamento de Justiça a esclarecer o conteúdo dos documentos e identificar envolvidos no escândalo. Trump sempre negou qualquer participação nos crimes de Epstein.
Nos bastidores da política americana, o timing do anúncio militar é interpretado por analistas como uma tentativa de mudar a pauta pública e reforçar a agenda de segurança e combate ao crime, central para o núcleo mais fiel do eleitorado de Trump.
Até o fim da tarde desta quinta-feira, o governo de Nicolás Maduro não havia se manifestado sobre a operação. O regime venezuelano é constantemente citado por autoridades americanas como alvo de ações antinarcóticos, embora não haja consenso internacional sobre essas acusações.