
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defendeu nesta terça-feira a expulsão do Hamas de Gaza, um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução que apoia as próximas etapas do plano dos Estados Unidos para a região. O documento endossa o avanço do cessar-fogo aprovado em outubro e inclui mecanismos de transição política e de segurança no território palestino.
Netanyahu já havia apoiado publicamente o plano durante visita à Casa Branca em setembro, mas suas novas declarações mostram divergências sobre como aplicá-lo. O Hamas também rejeita partes da proposta, que não prevê cronograma detalhado nem instrumentos formais de cumprimento. Apesar das lacunas, o texto recebeu apoio amplo na comunidade internacional.
Nas redes sociais, o primeiro-ministro afirmou que o governo israelense enxerga o plano como caminho para “paz e prosperidade” e destacou que ele exige a desmilitarização e a “desradicalização” de Gaza. Netanyahu também pediu que países da região “se unam a Israel para expulsar o Hamas e seus apoiadores”. Um porta-voz do governo explicou que a expressão significa impedir que o grupo detenha poder político ou militar no enclave.
O plano apresentado por Washington possui 20 pontos e prevê anistia para membros do Hamas que aceitarem depor armas e se comprometerem com coexistência pacífica. Aqueles que desejarem deixar Gaza teriam passagem segura para outros países. A proposta não exige que o Hamas se dissolva formalmente, mas determina que não terá papel na administração local.
O documento também menciona reformas na Autoridade Palestina, sediada na Cisjordânia, que poderiam criar condições futuras para um processo de autodeterminação e eventual estabelecimento de um Estado palestino. O tema é alvo de forte resistência dentro do governo israelense.
Antes da votação da ONU, Netanyahu reiterou que Israel se opõe à criação de um Estado palestino e rejeita qualquer participação da Autoridade Palestina na administração de Gaza. A posição contraria expectativas de aliados ocidentais e amplia o desafio para implementar o plano apoiado pelos EUA.
A aprovação da resolução amplia a pressão internacional por uma saída política para Gaza, mas mostra que ainda há profundas divergências entre Israel, Hamas e seus aliados sobre o futuro do território.