
Um mega-ataque russo deixou ao menos 25 mortos na Ucrânia nesta quarta-feira (19) e provocou mobilização de caças na Polônia e na Romênia, em meio a temores de que drones ou mísseis pudessem cruzar as fronteiras do Leste Europeu.
Segundo autoridades ucranianas, Moscou lançou 524 drones e mísseis durante a madrugada, concentrando a ofensiva no oeste do país. Em Ternopil, a 120 km de Lviv, um bloco residencial foi atingido diretamente. Mais de 70 pessoas ficaram feridas, entre elas 15 crianças. Kiev afirma ter abatido a maior parte dos artefatos antes do impacto.
A Rússia diz que os ataques são uma resposta a ações ucranianas contra refinarias e infraestrutura militar em seu território — ofensiva que tem provocado blecautes programados e interrupções na distribuição de gás em regiões ucranianas, num momento em que as temperaturas já se aproximam de zero grau.
Em paralelo ao ataque russo, a Ucrânia lançou mísseis americanos ATACMS contra Voronej, em uma das ações de maior alcance desde o início da guerra. Moscou afirma ter interceptado os projéteis; Kiev diz que parte deles atingiu alvos estratégicos. O movimento reacende o debate sobre a entrega de armas de longo alcance ao país invadido.
A escalada levou Romênia e Polônia a ativarem seus sistemas de defesa aérea durante a madrugada. Varsóvia também enfrenta outro ponto de tensão: no fim de semana, uma explosão atingiu uma linha férrea que conecta a capital à fronteira ucraniana. O governo polonês acusa a Rússia de atuar por meio de dois ucranianos que fugiram para Belarus.
O chanceler Radoslaw Sikorski classificou o episódio como “terrorismo de Estado” e anunciou o fechamento do último consulado russo no país. O Kremlin negou participação e disse que responderá de forma proporcional.
No norte da Europa, o Reino Unido afirmou monitorar um navio de mapeamento submarino russo próximo à Escócia. Londres diz avaliar “opções militares” caso considere a embarcação uma ameaça.
Em solo ucraniano, a guerra segue desfavorável a Kiev. Tropas russas avançam sobre Pokrovsk, no leste, e Zaporíjia, no sul, enquanto Kupiansk, ao norte, pode se tornar a primeira cidade de médio porte a cair novamente nas mãos de Moscou desde 2022.
O presidente Volodimir Zelenski tenta manter vivas as conversas de paz e se reúne com o líder turco Recep Tayyip Erdogan e enviados dos EUA. A Rússia não enviou representantes. Segundo o Kremlin, não há novidade diplomática — nem mesmo no plano citado por Donald Trump para tentar encerrar a guerra.