O motorista de carreta Dener Laurito dos Santos, 52, confessou à Polícia Civil ter inventado o sequestro que provocou o bloqueio de cinco horas no Rodoanel Mário Covas, em 12 de novembro. Ele admitiu a fraude em depoimento nesta quarta-feira (19), em Taboão da Serra, e foi indiciado por falsa comunicação de crime.
Segundo os investigadores, Dener foi confrontado com inconsistências entre sua versão e as provas obtidas, incluindo imagens que mostram o próprio motorista jogando uma pedra no caminhão antes de atravessá-lo na pista. Ele afirmou ter montado sozinho o simulacro de explosivo usando fio de fone de ouvido, fita crepe, papel alumínio, água e um tubo de gás portátil.
A falsa ocorrência mobilizou equipes do Gate, da Polícia Militar e da concessionária SPMAR, que precisaram interditar completamente o km 44 do Rodoanel, gerando um congestionamento de cerca de 40 km. O motorista permaneceu por mais de quatro horas dentro da cabine antes de ser retirado pela equipe antibomba.
A Polícia Civil também identificou que Dener havia sido soldado da Polícia Militar até 2006, quando foi expulso por “atos desonrosos” e infrações disciplinares graves. Atualmente, ele trabalhava para uma transportadora e retornava de uma entrega quando provocou o bloqueio.
O caso ganhou novos contornos após análise das imagens do local, que mostraram que nenhum criminoso se aproximou do caminhão. Outro motorista, que trafegava pela via no momento, relatou à polícia que a carreta de Dener vinha fechando seu veículo instantes antes da parada repentina.
Além da falsa comunicação de crime, Dener pode responder por outros delitos, segundo especialistas. Entre eles, exposição da vida de terceiros a perigo direto (artigo 132 do Código Penal) e atentado contra serviço de utilidade pública (artigo 265), que prevê pena de até cinco anos de prisão.
A Secretaria da Segurança Pública informou que a investigação segue sob responsabilidade da DISE de Taboão da Serra, que pretende esclarecer completamente a motivação do motorista e avaliar se houve intenção de causar pânico e interromper o serviço público.
Com o indiciamento e a confissão, o caso segue em apuração para definir a extensão das penalidades. A polícia avalia ainda laudos toxicológicos e o impacto criminal do bloqueio na via, que é um dos principais corredores de mobilidade e logística da Grande São Paulo.