
A liquidação extrajudicial do Banco Master abriu um embate entre a atual e a antiga gestão do AparecidaPrev, que tenta recuperar R$ 40 milhões aplicados em 2024. A direção atual afirma que o investimento descumpriu regras internas; ex-dirigentes dizem que a operação seguiu critérios técnicos e normas vigentes à época.
Com a intervenção do Banco Central e o avanço da Operação Compliance Zero — que apura desvios, manipulação de ativos e fraudes bilionárias no Banco Master — o instituto de previdência de Aparecida de Goiânia informou que se habilitará como credor para reaver o valor investido e os rendimentos acumulados, estimados em R$ 7 milhões até outubro de 2025.
Segundo a prefeitura, a aplicação foi feita em junho de 2024 em uma instituição com rating inferior ao permitido pela política de investimentos. A atual presidente do AparecidaPrev, Márcia Tinoco, comunicou o Conselho Deliberativo em janeiro de 2025 e enviou o caso ao Ministério Público de Goiás e ao Ministério da Previdência. A aplicação, vinculada a um compromisso de 10 anos, não pôde ser resgatada.
O documento de uma reunião do conselho fiscal realizada em setembro de 2024 aponta que o investimento teria sido feito sem autorização do Conselho Municipal de Previdência. Apesar disso, o ex-presidente do instituto, Robes Venâncio, afirma que a operação foi aprovada pelas instâncias internas e baseada em análise técnica multidimensional. Sua defesa argumenta que o rating questionado atendia aos parâmetros normativos vigentes e que todos os trâmites de governança foram seguidos.
A prefeitura também mencionou que o ex-secretário da Fazenda, Einstein Paniago, teria apresentado a instituição financeira ao AparecidaPrev, o que ele nega. Paniago afirma que o banco procurou a diretoria financeira para credenciamento, como fazem outras instituições, e que esse processo não tem relação direta com a aprovação de operações financeiras.
O caso ocorre em meio a um cenário de forte exposição de regimes próprios de previdência ao Banco Master. Segundo o Ministério da Previdência, 18 estados e municípios investiram R$ 1,86 bilhão em letras financeiras da instituição entre 2023 e 2024. O Rio de Janeiro é o mais afetado, com R$ 970 milhões aplicados pelo Rioprevidência. AparecidaPrev aparece na lista com os R$ 40 milhões agora sob risco.
A liquidação foi decretada pelo Banco Central na terça-feira (18), sob a justificativa de grave crise de liquidez e violações às normas do sistema financeiro. No mesmo dia, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal. Entre os investigados está o acionista do Master, Daniel Vorcaro, preso ao tentar viajar para o exterior em meio às apurações.
Enquanto busca recuperar os valores, o AparecidaPrev tenta tranquilizar aposentados e pensionistas, afirmando que o patrimônio do instituto — cerca de R$ 1 bilhão — garante a continuidade dos pagamentos. A disputa entre gestões agora se desloca para o Ministério Público e para os órgãos de fiscalização, que vão avaliar se houve falhas de governança ou se a operação foi impactada por um evento excepcional de mercado.