
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou uma lei que determina a divulgação de documentos relacionados à investigação federal sobre Jeffrey Epstein, financiador acusado de tráfico sexual infantil e morto em 2019. O Departamento de Justiça terá até 30 dias para liberar o material.
Trump havia pedido a parlamentares republicanos que bloqueassem a proposta, temendo que a liberação de registros internos criasse um precedente prejudicial ao Executivo, segundo assessores do Congresso. Mas o presidente recuou após constatar apoio bipartidário suficiente para a aprovação do texto.
Em publicação nas redes sociais, ele comemorou a assinatura e afirmou que a medida pode revelar “a verdade sobre certos democratas e suas associações com Jeffrey Epstein”. Trump acusa opositores de usar o caso para desgastar sua administração e afastar a atenção de vitórias políticas de seu governo.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que o Departamento de Justiça cumprirá o prazo estabelecido pelo Congresso. Ela defendeu a transparência e disse que parte do material poderá ser preservada para proteger investigações em curso e informações pessoais de vítimas. A legislação permite que trechos sensíveis sejam retidos.
A pressão pública pela divulgação dos arquivos é alta. Pesquisas recentes mostram que cerca de 70% dos americanos acreditam que o governo esconde informações sobre os clientes de Epstein — índice que inclui 87% dos democratas e 60% dos republicanos.
Mesmo com a nova lei, não está garantido que todas as informações envolvendo figuras públicas serão reveladas. Na semana passada, Trump ordenou que o Departamento de Justiça investigasse democratas associados ao caso, e autoridades podem restringir trechos que envolvam investigações ativas. Tribunais também rejeitaram pedidos anteriores para divulgar transcrições de grandes júris relacionados a Epstein e à ex-associada Ghislaine Maxwell, condenada por ajudar no abuso de menores.
A liberação parcial dos documentos deve renovar o debate sobre a rede de relacionamento de Epstein e o grau de transparência do governo em casos sensíveis. O Departamento de Justiça agora trabalha para separar o que pode ser divulgado de informações que ainda estão protegidas por lei.