O Banco Master deixou vazio o escritório mais caro de Miami, alugado em 2023 no edifício de luxo 830 Brickell Plaza, pouco antes de a instituição entrar em colapso e seu dono, Daniel Vorcaro, ser preso pela Polícia Federal. O espaço de 2.415 m² jamais foi ocupado, e qualquer obra de adaptação no local sequer foi concluída, segundo pessoas familiarizadas com o imóvel.
Vorcaro foi detido na segunda-feira (17) sob suspeita de tentar fugir do Brasil, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master no centro de um escândalo de fraude estimada em R$ 12 bilhões.
O arranha-céu em Miami tem entre seus inquilinos gigantes como Citadel Securities, Microsoft e Thoma Bravo. Mesmo assim, o escritório do Banco Master nunca recebeu funcionários. A placa da instituição ainda aparece na torre, mas recepcionistas confirmam que o espaço está ocioso.
O Master, que saiu da obscuridade para se tornar um dos principais players financeiros do país nos últimos cinco anos, é acusado de fabricar instrumentos de crédito e atrair investidores com depósitos a taxas muito acima do mercado.
Em São Paulo, a instituição havia alugado um espaço corporativo no mesmo prédio que abriga Google e BTG Pactual, e cogitou abrir escritórios internacionais de alto padrão — inclusive em Londres, no edifício 22 Bishopsgate, onde desistiu de avançar no fim de 2024.
Vorcaro afirma que não tentava fugir e que estava viajando para “concluir negócios”. A empresa diz estar colaborando com as autoridades.
A defesa do empresário tenta agora derrubar a narrativa de fuga apresentando documentos sobre uma viagem de negócios aos Emirados Árabes. Trocas de e-mails e mensagens de WhatsApp, às quais o Metrópoles teve acesso, mostram que Vorcaro reservou a suíte presidencial do Four Seasons Dubai at Jumeirah Beach, uma acomodação de 600 m² que custa US$ 98 mil (cerca de R$ 524 mil) para cinco dias.
A reserva seria de terça (18) a sábado (22), e a equipe do banqueiro chegou a solicitar ao hotel espaço para conferência com dez convidados VIP — supostamente investidores interessados em operações envolvendo o Banco Master.
A PF, porém, afirma que o plano de voo do jatinho de Vorcaro indicava Malta como destino final, não Dubai, e viu sinais de tentativa de fuga. A parceira do banqueiro teria decolado dos EUA em outro jato particular para encontrá-lo, mas retornou ao saber da prisão.
Vorcaro foi levado para a carceragem da Polícia Federal em São Paulo. Ele é acusado na Operação Compliance Zero, que investiga fraude bilionária em títulos e ativos ligados ao Master. A Justiça determinou buscas em endereços ligados ao grupo e ao BRB, que comprou carteiras de crédito da instituição.
O Banco Central, por sua vez, proibiu qualquer transação envolvendo o Master e decretou sua liquidação imediata.