
Israel matou o chefe interino do Estado-Maior do Hezbollah, Haytham Ali Tabatabai, em um ataque aéreo contra um subúrbio ao sul de Beirute neste domingo (23), apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos há um ano. A milícia libanesa confirmou a morte do dirigente, chamando-o de “grande comandante jihadista”. Autoridades do Líbano registraram pelo menos cinco mortos e 28 feridos.
O míssil atingiu um prédio de vários andares, espalhou destroços pela rua principal e levou moradores a correrem de casa temendo novos bombardeios. Os feridos foram levados a hospitais da região. Segundo um repórter da Reuters, o ataque é o primeiro nos arredores da capital libanesa em meses.
Lideranças do Hezbollah classificaram a ação como um atentado “claramente direcionado” a uma figura-chave da organização. Mahmud Qomati, membro da milícia, afirmou que Israel “cruza uma nova linha vermelha”. Já o presidente do Líbano, Joseph Aoun, pediu que a comunidade internacional intervenha “de forma séria e enérgica” para conter os ataques israelenses.
Antes da ofensiva, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu havia declarado que Israel continuaria a combater o terrorismo “em várias frentes” e impedir o Hezbollah de restabelecer capacidade militar.
O ataque ocorre em um momento em que Israel vem ampliando investidas no sul do Líbano, mantendo bombardeios quase diários sob a justificativa de impedir o reagrupamento militar do Hezbollah na região. Tel Aviv pressiona o governo libanês para confiscar armas ilegais e reforçar ações contra a milícia, que afirma estar cumprindo o cessar-fogo.
Segundo o portal Axios, autoridades americanas disseram que os EUA não foram notificados previamente sobre o ataque — mas foram informados imediatamente após sua execução. Outro funcionário afirmou que Washington já sabia da intenção de intensificar operações no Líbano nos últimos dias.
Após o ataque, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as operações vão continuar.
“Quem levantar a mão contra Israel terá a mão cortada”, afirmou, ao reforçar que o governo continuará a “política de aplicação máxima da lei no Líbano e em todos os outros lugares”.