Os Estados Unidos passaram a considerar, a partir desta segunda-feira (24), o Cartel de los Soles como uma organização terrorista estrangeira, movimento que amplia as sanções e faz parte da campanha de pressão do governo Donald Trump contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro, apontado por Washington como suposto líder do cartel. A Venezuela rejeitou a decisão e classificou a medida como uma “mentira ridícula”.
A designação coloca o Cartel de los Soles no mesmo nível de facções como o cartel de Sinaloa, no México. O nome vem dos “sóis” usados nas insígnias dos generais venezuelanos. Segundo autoridades americanas, o grupo estaria envolvido no envio de centenas de toneladas de cocaína para os EUA e a Europa, operando a partir de setores das Forças Armadas da Venezuela.
O governo dos EUA afirma que Maduro comanda o cartel e oferece recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura. Outras figuras do alto escalão, como Diosdado Cabello, também são alvos de acusações de narcotráfico.
Apesar disso, especialistas contestam a existência de um “cartel estruturado”. Pesquisadores como Jeremy McDermott, do InSight Crime, afirmam que o que existe é um sistema de corrupção militarizado, no qual oficiais lucram permitindo que traficantes usem rotas internas e áreas de fronteira.
Essas acusações existem desde os anos 2000 e foram reforçadas com a crise venezuelana, quando militares passaram a depender mais de rendas ilícitas, segundo relatos de ex-funcionários dos EUA.
O regime de Maduro classificou a medida como uma “agressão ilegal” e acusou Washington de tentar criar uma justificativa para uma intervenção armada na Venezuela. O chanceler Yván Gil chamou a designação de “patranha ridícula” e afirmou que o Cartel de los Soles é “inexistente”.
A tensão cresce em meio a uma mobilização militar americana no Caribe, a maior desde a crise dos mísseis de 1962. Trump já enviou navios de guerra, aeronaves e equipes especiais para a região, alegando reforço da guerra às drogas. A Casa Branca também autorizou ataques de drones contra embarcações suspeitas de tráfico.
Especialistas afirmam que a nova classificação não autoriza automaticamente ações militares contra a Venezuela, mas abre espaço para medidas mais duras, como bloqueios de bens, restrições de viagens, punição a empresas e criminalização de qualquer apoio ao grupo.
Com a designação, os EUA podem:
congelar bens e contas de membros ligados ao Cartel de los Soles;
impedir entrada no país de envolvidos;
transformar em crime federal o apoio material ao grupo;
pressionar aliados a adotarem medidas semelhantes.
A mudança de status também reforça a narrativa de Washington de que a Venezuela opera como um Estado associado ao narcotráfico — algo repetidamente negado pelo governo Maduro, que acusa os EUA de tentar derrubá-lo para controlar o petróleo do país.
Segundo a Unodc, a Venezuela é rota importante do envio de cocaína colombiana, embora não produza fentanil e não seja o principal ponto de origem da droga consumida nos EUA.
Enquanto isso, militares americanos seguem posicionados no Caribe, e o chefe do Estado-Maior, general Dan Caine, visita navios da força-tarefa nesta semana.