
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, sinalizou disposição para viajar aos Estados Unidos e finalizar um acordo de paz com Donald Trump, mas enfrenta a principal barreira do processo: a resistência pública da Rússia às mudanças propostas no plano americano. A negociação se intensificou nesta terça-feira (25), em meio a uma das noites mais violentas de bombardeios desde o início da guerra.
Para tentar reduzir a distância entre as partes, Washington organizou a primeira reunião direta entre representantes russos e ucranianos para discutir o texto em revisão. O encontro ocorreu em Abu Dhabi e foi conduzido por Dan Driscoll, secretário do Exército americano e aliado próximo do vice-presidente J. D. Vance — que tem posições consideradas mais favoráveis a Moscou.
Segundo a Casa Branca, ainda há “detalhes delicados” em debate, mas o momento marca “tremendo progresso” nas conversas. O plano, inicialmente com 28 pontos alinhados aos interesses russos, agora foi reduzido para 19 itens e descrito como mais equilibrado.
Apesar do avanço, o Kremlin rejeitou a versão revisada. O assessor de Putin, Iuri Uchakov, classificou os pontos ventilados na imprensa — como o congelamento das linhas de frente — como “inaceitáveis”. O chanceler Serguei Lavrov reforçou nesta terça que qualquer acordo precisa refletir as exigências apresentadas por Putin no encontro com Trump no Alasca, em agosto, que incluem neutralidade da Ucrânia e limites ao seu poder militar.
Mesmo assim, Zelenski afirmou que concorda “com a essência” do que foi discutido em Genebra na rodada anterior.
Governos de países europeus próximos a Kiev participaram das tratativas como observadores e discutiram os próximos passos em videoconferência. O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que o plano “vai na direção correta”, mas reforçou que a Europa não aceita um arranjo que pareça capitulação da Ucrânia.
Trump havia sugerido que Zelenski aceitasse o plano até esta quinta-feira, Dia de Ação de Graças, mas o prazo perdeu força nos últimos dias. O governo ucraniano também enfrenta pressão interna, após denúncias de corrupção ampliarem o desgaste político de Kiev.
Enquanto diplomatas negociam, a guerra escalou durante a madrugada. A Rússia lançou 486 mísseis e drones contra diversas regiões ucranianas, incluindo quatro mísseis hipersônicos Kinjal. Em Kiev, ao menos 7 pessoas morreram e 13 ficaram feridas. Várias áreas da capital e outras regiões, como Odessa e Dnipropetrovsk, ficaram sem energia.
A Otan confirmou que dois drones russos violaram o espaço aéreo da Romênia, mobilizando caças Eurofighter e F-16 para interceptação.
Do lado ucraniano, mísseis de cruzeiro Netuno atingiram uma refinaria em Tuapse e um terminal de petróleo em Novorossiysk, na costa do Mar Negro. Sites de monitoramento também relataram ataque à base aérea russa de Taganrog — dois aviões de teste teriam sido danificados.
Os EUA tentam costurar rapidamente uma versão final que possa ser apresentada aos líderes antes de novas ofensivas. Mas, sem o aval de Moscou, o avanço político permanece incerto — e o campo de batalha, decisivo para definir o ritmo das conversas.