
O Talibã acusou o Paquistão de realizar um bombardeio que matou nove crianças e uma mulher na noite desta terça-feira (25) e afirmou que haverá resposta “no momento apropriado”. O ataque reacende a tensão entre os países vizinhos, que vinham tentando manter um cessar-fogo após confrontos letais na fronteira em outubro.
Segundo o porta-voz do regime, Zabihullah Mujahid, as forças paquistanesas teriam atingido três províncias afegãs na divisa entre os países, em um ato que Cabul classifica como violação de soberania e de normas internacionais. Islamabad não comentou oficialmente o caso.
O ataque denunciado pelo Talibã ocorreu horas depois de uma série de atentados no Paquistão, que as autoridades locais atribuem a grupos terroristas com base no Afeganistão — alegação negada pelo governo afegão.
Na segunda (24), três membros das forças paramilitares morreram em Peshawar após atentados suicidas. No início do mês, explosões em Islamabad e na região de Waziristão do Sul deixaram pelo menos 15 mortos, incluindo civis.
O governo paquistanês afirma ter rastreado a origem dos ataques e concluído que todos teriam alguma conexão com militantes que operam a partir do Afeganistão.
Em outubro, confrontos na fronteira deixaram dezenas de mortos, no pior episódio de violência entre os países desde a volta do Talibã ao poder, em 2021. Após reuniões em Doha, as partes concordaram com um cessar-fogo temporário, mas as negociações fracassaram por falta de um compromisso formal do Talibã para agir contra grupos procurados por Islamabad.
O regime afegão rejeita a pressão e diz não ser razoável esperar que o país seja responsável por garantir a segurança interna do Paquistão.
Apesar da escalada, ambos os lados mantêm versões conflitantes. O Paquistão acusa Cabul de permitir que militantes paquistaneses utilizem o país como refúgio. O Talibã, por outro lado, afirma que Islamabad tenta transferir a responsabilidade por sua própria crise de segurança.
No comunicado divulgado nesta terça, Mujahid reforçou que “defender o território e o povo afegão é um direito legítimo” e que uma resposta será dada.
A retomada da violência coloca em risco qualquer possibilidade de acordo duradouro e aumenta a pressão internacional para que os dois governos retomem o diálogo. Analistas avaliam que a escalada pode ampliar a instabilidade em uma das regiões mais tensas da Ásia.