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Clínica de médico suspeito foi interditada várias vezes
Delegado afirma que fiscalizações em 2022, 2023 e 2025 encontraram medicamentos vencidos e irregularidades sanitárias
26/11/2025 14h47
Por: Redação
Foto: Reprodução

A clínica do médico João Paulo Peloso Reis e Passos, suspeito de ameaçar uma servidora da Vigilância Sanitária de Rio Verde, já havia sido interditada outras vezes por irregularidades sanitárias, segundo o delegado Márcio Marques. O profissional foi indiciado por coação no curso do processo e ameaça, junto com outros dois envolvidos.

Interdições repetidas e irregularidades graves

De acordo com o delegado, a Vigilância Sanitária realizou fiscalizações no local em 2022, 2023 e 2025. Em todas, foram encontrados problemas como medicamentos vencidos, ambiente insalubre e descumprimento de protocolos obrigatórios.

As infrações mais recentes resultaram em novos autos e na interdição temporária da clínica. Após a última vistoria, segundo a polícia, o estabelecimento regularizou as pendências e retomou o funcionamento.

A prefeitura informou que não pode detalhar as fiscalizações anteriores devido às regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ameaças e contratação de “detetives”

Na fiscalização mais recente, agentes encontraram novamente medicamentos vencidos e condições inadequadas para procedimentos cirúrgicos. A investigação aponta que, após essas autuações, João Paulo teria contratado um “detetive” em Anápolis, que chamou um segundo suspeito, para monitorar e intimidar a servidora responsável pela inspeção.

Mensagens enviadas à servidora citavam que “a conta chega para todos” e sugeriam até “cancelamento de CPF”, o que configurou ameaça grave.

Segundo a polícia, o primeiro detetive identificado colaborou com a investigação e apresentou recibos de pagamentos feitos pela clínica — cerca de R$ 7 mil pelo serviço de vigilância.

Os três envolvidos foram indiciados por ameaça e por coação no curso do processo, crime que consiste em usar violência ou grave ameaça para influenciar decisões em procedimentos judiciais, policiais ou administrativos.

O que diz a defesa

Em nota, os advogados do médico afirmaram respeitar as autoridades, mas discordam das conclusões do inquérito. Eles defendem que ainda há fatos a serem produzidos no processo e dizem confiar no esclarecimento do caso e na Justiça.

O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, que deve decidir sobre o oferecimento da denúncia. A polícia sustenta que há robusto conjunto de provas sobre as ameaças. A defesa, por outro lado, afirma que os fatos serão esclarecidos ao longo da ação penal.