Geral Meio Ambiente
Novo deslizamento do lixão de Padre Bernardo contamina córrego
Consumo de água segue proibido; Semad avalia novo auto de infração contra a empresa responsável
26/11/2025 14h57
Por: Redação
Foto: Reprodução

O lixão de Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal, registrou um terceiro desmoronamento e voltou a contaminar o córrego Santa Bárbara, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). O incidente ocorreu na madrugada de terça-feira (25) e reacendeu o alerta ambiental na região.

Proibição do consumo de água

De acordo com a Semad, o novo deslizamento ocorreu na mesma pilha de resíduos que desmoronou em junho de 2025. O volume de lixo deslizado ainda não foi informado. A secretaria afirma que o consumo de água do córrego permanece proibido desde o primeiro episódio, por portaria assinada pela secretária Andrea Vulcanis.

O Centro de Informações Hidrológicas e Meteorológicas (Cimehgo) registrou cerca de 140 milímetros de chuva no dia do incidente, volume considerado alto. Ainda não há confirmação se as chuvas foram a causa direta do desmoronamento.

A Semad enviou equipes ao local nesta quarta-feira (26) e informou que é provável a emissão de um novo auto de infração pelo “descumprimento do dever de estabilizar o maciço”.

Empresa diz que área já estava isolada e em recuperação

Em nota, a empresa Ouro Verde afirmou que a movimentação ocorreu na mesma área previamente isolada e em processo de recuperação. Disse ainda que o perímetro afetado não aumentou e que o local permanece sob monitoramento geotécnico contínuo, com ações de drenagem, estabilização de taludes e reconformação do terreno.

A empresa relata que operações de remoção e realocação de resíduos já começaram, mas estão temporariamente condicionadas às restrições climáticas.

Histórico de desmoronamentos e multas

O primeiro grande desmoronamento ocorreu em 18 de junho de 2025, quando cerca de 42 mil metros cúbicos de lixo desabaram sobre o córrego Santa Bárbara. Na ocasião, a coordenadora de Meio Ambiente do MP-GO, Daniela Haun Serafim, classificou o caso como “tragédia anunciada”, apontando que o aterro funcionava sem licença ambiental.

Um mês após o episódio, a Semad multou a Ouro Verde em R$ 37,5 milhões.

Em novembro, um segundo deslizamento ocorreu, mas não atingiu o curso d’água. A estimativa à época era de que cerca de 3 mil toneladas de resíduos haviam deslizado.

Agora, com a nova contaminação, a Semad avalia responsabilização adicional da empresa e mantém o monitoramento da qualidade da água no córrego.

Notas oficiais

Ouro Verde — A empresa informou que está adotando todas as medidas necessárias para recuperação da área e reforçou seu compromisso com segurança, transparência e acompanhamento técnico.