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Fotos revelam “escritório da corrupção” usado pela Refit para mapear autoridades
Imagens mostram anotações feitas em janelas de vidro na Cinelândia com nomes de investigados, operações, autoridades e até referências ao PCC; operação aponta sonegação de R$ 26 bilhões.
28/11/2025 15h08
Por: Redação
Foto: Reprodução

Imagens obtidas pelo blog revelam que integrantes do Grupo Refit registravam parte do esquema de corrupção investigado pela força-tarefa em anotações feitas diretamente em janelas de vidro de um escritório na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Segundo investigadores, o local passou a ser chamado de “escritório da corrupção”.

Nas fotos, é possível ver referências a operações policiais, nomes de refinarias, transportadoras, pessoas investigadas e até anotações relacionadas ao monitoramento de autoridades. Há menções como “mapeamento do Judiciário”, “mapeamento das Procuradorias estaduais”, “mapeamento dos portos” e “mapeamento do ministério”.

Uma das inscrições cita Beto Louco, alvo do Ministério Público de São Paulo por comandar um esquema bilionário ligado ao PCC no setor de combustíveis. Outra expressão que chamou a atenção dos agentes foi “dashboard do crime”.

Operação Poço do Lobato

A operação deflagrada nesta quinta-feira (27) investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro já identificados no setor de combustíveis. Segundo a Receita Federal, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores em paraísos fiscais para ocultar receitas e blindar lucros.

Comandado pelo empresário Ricardo Magro, o grupo é apontado como o maior devedor contumaz - ou seja, quem acumula dívidas tributárias de forma repetida e sistemática -, de ICMS em São Paulo, o segundo maior do Rio e um dos maiores do país. O prejuízo estimado aos cofres estaduais e federal chega a R$ 26 bilhões.

Até a última atualização desta reportagem, a defesa da Refit não havia se manifestado.

Quem é Ricardo Magro

Base da investigação, o empresário vive em Miami desde 2016, de onde comanda seus negócios. Magro adquiriu a antiga refinaria de Manguinhos em 2008 por R$ 7 milhões, quando a empresa estava à beira da falência.

A Refit cresceu nos últimos anos mesmo sob dívidas bilionárias e em recuperação judicial. Antes da operação, a empresa detinha 30% do mercado de combustíveis do Rio e 5% de São Paulo.

Magro nega ser sonegador e afirma ter apenas “discussões tributárias” com o Fisco. Em nota, a Refit diz que os débitos são contestados judicialmente, “como fazem inúmeras empresas”.

A Receita, porém, afirma que pretende alcançá-lo inclusive no exterior, via cooperações internacionais.

Vida de luxo em Miami

Documentos aos quais a reportagem teve acesso mostram que o empresário mantinha padrão elevado de vida nos EUA. Ele vivia em uma casa de luxo avaliada em mais de US$ 3,5 milhões e dirigia um Maserati. Em processo de separação, o casal discutiu a partilha de um barco Azimut de 60 pés e imóveis em regiões nobres como Sunny Isles e Coconut Grove.

Segundo o processo, Magro chegou a alugar uma mansão que pertenceu ao jogador da NBA LeBron James, com aluguel de até US$ 40 mil mensais.

Entre a política e o mercado

Magro transita com facilidade por diferentes espectros políticos. Já teve ligação com figuras do PT e, mais recentemente, aproximou-se de políticos do PL e do Progressistas, incluindo o senador Ciro Nogueira.

Apesar disso, nega proximidade com a família Bolsonaro, embora tenha sido beneficiado por mudanças regulatórias durante o governo, como a MP 1063, que abriu brechas para atuação de distribuidoras como a Refit.

Próximos passos da investigação

As apurações seguem com foco na estrutura internacional de empresas ligada ao grupo, na movimentação de recursos por offshores e na eventual participação de agentes públicos. A força-tarefa também analisa o possível uso da rede de postos para lavagem de dinheiro.

A operação desta quinta incluiu 190 alvos entre pessoas físicas, empresas, escritórios e endereços ligados direta ou indiretamente ao grupo.