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PF investiga fraudes na manutenção do Samu em Goiânia
PF e CGU investigam desvio de recursos, superfaturamento e serviços simulados entre 2022 e 2024; metade da frota estaria parada enquanto notas fiscais registravam manutenções.
28/11/2025 17h04
Por: Redação
Foto: Divulgação/Prefeitura de Goiânia

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta sexta-feira (28), a Operação Check-up 192, que investiga fraudes em contratos de manutenção de ambulâncias do Samu em Goiânia entre 2022 e 2024. As apurações apontam suspeitas de desvios de recursos públicos, serviços superfaturados e simulações de manutenção em veículos que estavam parados.

Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos — sete na capital e dois em Aparecida de Goiânia — em endereços ligados a servidores públicos, empresas e pessoas físicas investigadas. Segundo a PF, ao menos R$ 2,4 milhões foram movimentados em contratos relacionados às ambulâncias, dentro de um pacote maior de dois contratos que somam R$ 8 milhões.

De acordo com a investigação, cerca de metade da frota estava inativa por longos períodos, mas seguia gerando despesas como lavagem, compra de peças e outros serviços de manutenção, descritos em notas fiscais como se os veículos estivessem operando normalmente.

A superintendente da CGU em Goiás, Suzana Kroehling, explicou que foram identificadas notas frias e gastos que não poderiam ter sido feitos:
“Ambulâncias paradas estavam recebendo lavagem, compra de equipamentos e outros serviços. Ou seja, havia simulação de despesas e uso indevido de recursos públicos.”

Servidores continuam nos cargos

Segundo o delegado da PF André Monteiro, todos os servidores investigados são efetivos e permanecem atuando nos mesmos cargos desde a gestão anterior. A apuração também mira oficinas clandestinas que teriam superfaturado serviços e emitido notas irregulares.

A investigação começou após relatório do DenaSUS, órgão do Ministério da Saúde, que apontou irregularidades em repasses federais ligados a contratos da Saúde em Goiânia, especialmente na frota do Samu.

Os suspeitos podem responder por peculato, inserção de dados falsos em sistema público, associação criminosa e outros crimes que podem surgir ao longo do inquérito.

Contexto de crise

Em 2024, o Samu enfrentou uma de suas maiores crises em Goiânia. A frota reduzida, falta de insumos e sobrecarga das equipes levaram a uma greve em junho. Em julho, o número 192 chegou a ficar fora do ar por alguns dias, comprometendo o atendimento.

Posicionamentos

A Prefeitura de Goiânia afirmou, em nota, que os fatos investigados ocorreram na gestão anterior e declarou estar à disposição das autoridades para fornecer documentos e informações.

O ex-prefeito Rogério Cruz disse que não é investigado na operação e que as apurações tratam exclusivamente de possíveis irregularidades administrativas envolvendo servidores e empresas contratadas. Ele reforçou seu compromisso com a transparência.

Nota do ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz: 

Leia a íntegra da nota do ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz:

"O ex-prefeito Rogério Cruz esclarece que não é investigado, nem figura entre os alvos da Operação Check-up 192, deflagrada pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal nesta sexta-feira (28).

As apurações tratam exclusivamente de eventuais irregularidades operacionais e administrativas relacionadas à manutenção da frota do SAMU, envolvendo servidores e empresas contratadas.

Tais rotinas técnicas são de responsabilidade direta das áreas específicas da Secretaria Municipal de Saúde, amparadas por processos internos e fiscalização própria.

O ex-prefeito reforça compromisso permanente com a transparência e confia no trabalho das instituições responsáveis pelas investigações".

Leia a íntegra da nota da Secretaria de Saúde de Goiânia:

"A Prefeitura de Goiânia esclarece que a Operação Check-up 192, deflagrada nesta sexta-feira (28/11), pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF), apura suspeitas de irregularidades na manutenção de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) durante a gestão anterior, entre os anos de 2022 e 2024.

A atual gestão está à inteira disposição dos órgãos de controle e investigação para fornecer todas as informações e documentos necessários, contribuindo para o pleno esclarecimento dos fatos e para a responsabilização dos envolvidos.

Neste ano, toda a frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi substituída. O serviço conta atualmente com 22 ambulâncias em uso e informa regularmente ao Ministério da Saúde a produtividade e situação das viaturas".