
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (28) que pretende “pausar permanentemente” a imigração de todos os “países do Terceiro Mundo”, em nova escalada de seu discurso anti-imigração após o atentado que matou uma integrante da Guarda Nacional em Washington. A declaração reforça a guinada do governo desde o ataque de quarta-feira (27), atribuído a um cidadão afegão reassentado nos EUA em 2021.
Questionado pela Reuters sobre quais países seriam afetados, o Departamento de Segurança Interna citou a lista de nacionalidades já restringidas por Trump em medidas anteriores, que inclui Afeganistão, Cuba, Venezuela, Haiti e países da África, Ásia e Oriente Médio — mas não o Brasil.
Trump não detalhou o alcance da proposta, nem explicou o que significa “pausar permanentemente”. Afirmou, porém, que a medida incluiria todos os casos de imigração aprovados na gestão do ex-presidente Joe Biden.
Em publicação na rede Truth Social, o republicano escreveu:
“Vou pausar permanentemente a migração de todos os países do terceiro mundo, encerrar milhões de admissões ilegais e remover qualquer pessoa que não seja um ativo líquido para os Estados Unidos.”
Trump também prometeu retirar benefícios federais para não cidadãos, “desnaturalizar migrantes” considerados ameaça à ordem pública e deportar estrangeiros definidos como “incompatíveis com a civilização ocidental”. A Casa Branca não comentou.
O endurecimento do discurso ocorre após a morte de Sarah Beckstrom, 20, baleada em um ataque a tiros próximo à Casa Branca. O colega dela, Andrew Wolfe, 24, segue hospitalizado. O suspeito, Rahmanullah Lakanwal, 29, havia recebido asilo político neste ano, já sob o governo Trump, após entrar no país em 2021 por um programa emergencial criado por Biden para afegãos após a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão.
O próprio Serviço de Imigração anunciou que suspendeu, por tempo indeterminado, o processamento de todos os pedidos relacionados a cidadãos do Afeganistão.
Trump ordenou uma revisão de todos os pedidos de asilo aprovados durante o governo Biden e dos green cards concedidos a cidadãos de 19 países. O presidente insiste que o ataque é resultado de uma política “relaxada” de imigração, apesar de Lakanwal ter entrado legalmente no país e ter tido o asilo aprovado em sua própria gestão.
Em outra publicação, Trump afirmou que milhares de afegãos entraram nos EUA “sem controle” após o colapso do governo afegão em 2021 e defendeu a chamada “migração reversa”, expressão que ecoa a retórica da ultradireita contrária à presença de imigrantes.
A gestão Trump já enviou reforços do ICE para grandes cidades americanas com o objetivo de ampliar deportações. Segundo dados oficiais, mais de dois terços dos 53 mil detidos pelo órgão até 15 de novembro não tinham condenações criminais.
A nova ofensiva migratória deve reforçar a agenda central do presidente, que tem apostado no tema para mobilizar sua base, mesmo diante da falta de clareza sobre os limites legais e políticos de suas declarações.