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MP denuncia PMs por peculato e furto qualificado na Operação Contenção no Rio
Denúncias apontam que agentes do Batalhão de Choque ocultaram armas, furtaram peças de veículos e tentaram manipular câmeras corporais durante megaoperação que deixou 122 mortos.
01/12/2025 15h14
Por: Redação
Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou duas denúncias contra seis policiais militares do Batalhão de Choque por peculato e furto qualificado durante a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. As acusações foram formalizadas entre sexta (28) e sábado (29) e se baseiam na análise de vídeos gravados pelas câmeras operacionais portáteis usadas pelos próprios agentes.

Segundo a 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar, as imagens mostram o 3º sargento Marcos Vinicius Pereira Silva Vieira recolhendo um fuzil semelhante a um AK-47 dentro de uma residência onde cerca de 25 suspeitos já estavam rendidos. Em vez de registrar e entregar o armamento à equipe responsável pela contabilização de apreensões, ele se afasta e encontra o 3º sargento Charles William Gomes dos Santos. Os dois colocam o fuzil dentro de uma mochila, omitindo o item da lista oficial da operação. A denúncia por peculato foi apresentada na sexta-feira.

Na mesma operação, a 2ª Promotoria de Justiça denunciou o subtenente Marcelo Luiz do Amaral, o sargento Eduardo de Oliveira Coutinho e outros dois policiais pela prática de furto qualificado. As câmeras corporais mostram o grupo desmontando um veículo Fiat Toro estacionado na Vila Cruzeiro. Coutinho retira o tampão do motor, faróis e capas de retrovisores, enquanto Amaral e outro agente tentam impedir o funcionamento das câmeras. Um terceiro policial, identificado como Machado, acompanha toda a ação sem intervir.

Em ambos os casos, o MPRJ identificou tentativas deliberadas de manipulação das câmeras, incluindo cobertura das lentes, alteração do enquadramento e tentativas de desligamento, o que viola protocolos e compromete o controle interno e externo do uso da força.

As Promotorias seguem analisando dezenas de horas de gravações da Operação Contenção para identificar outras possíveis irregularidades. O Ministério Público aguarda agora que a Justiça Militar receba as denúncias e informou, em nota, que apura se esses episódios são isolados ou parte de um padrão de condutas em grandes operações no estado.

Corregedoria prende agentes e abre investigação

Reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (30) mostrou detalhes das ações ilegais e revelou que a Corregedoria da Polícia Militar prendeu cinco agentes envolvidos, incluindo Amaral, Coutinho, Santos, Vieira e o sargento Diogo da Silva Souza, acusado de ocultar outro fuzil após troca de tiros.

Imagens também registraram um policial do BOPE escolhendo equipamentos, como colete e rádio, para levar consigo. A defesa de alguns agentes alega que os vídeos ainda precisam passar por perícia.

A Polícia Militar informou que todos responderão a processo administrativo disciplinar e que a investigação continua para identificar outros participantes. “A imagem também vai servir para proteger o bom policial e expor o mau comportamento”, declarou a porta-voz da corporação, Claudia Moraes.

Operação mais letal do Rio

A Operação Contenção, considerada a mais letal dos últimos anos no estado, tinha como objetivo conter a expansão do Comando Vermelho. No total, 122 pessoas morreram, incluindo cinco policiais.