
No último dia de sua visita ao Líbano, o papa Leão 14 fez um apelo direto pelo fim “dos ataques e das hostilidades” no país, que tem sido alvo de sucessivos bombardeios de Israel apesar do cessar-fogo firmado em 2024 com o grupo extremista Hezbollah. O pedido foi feito nesta terça-feira (2), no aeroporto de Beirute, antes do retorno à Itália.
Sem citar Israel ou Hezbollah, o pontífice afirmou que “a luta armada não traz benefícios” e destacou que apenas “negociação, mediação e diálogo” podem construir soluções duradouras. “Escolhamos a paz como caminho, e não apenas como objetivo”, declarou.
A visita de três dias marcou a primeira viagem internacional de Leão 14 como líder da Igreja Católica. O papa, que tem cidadania americana e peruana, chegou ao Líbano no domingo (30), vindo da Turquia, levando mensagens de esperança a uma população que enfrenta grave crise econômica e instabilidade política.
Em uma missa ao ar livre que reuniu cerca de 150 mil pessoas na capital libanesa, Leão 14 pediu unidade entre cristãos e reforçou a necessidade de superar a lógica da vingança e das divisões políticas, sociais e religiosas.
“O Oriente Médio precisa de novas abordagens para rejeitar a mentalidade de violência e abrir novos capítulos em nome da reconciliação”, afirmou.
O evento ocorreu próximo à área devastada pela explosão do porto de Beirute, em agosto de 2020, que matou mais de 220 pessoas. O papa rezou no local com sobreviventes e familiares das vítimas, acendendo uma lâmpada em homenagem aos mortos.
A visita ocorreu enquanto Tel Aviv intensifica ataques contra supostos alvos do Hezbollah nas últimas semanas, apesar da trégua em vigor. O governo libanês, em meio ao colapso econômico, tem sofrido forte pressão dos Estados Unidos para conter a atuação da milícia apoiada pelo Irã.
Em seu discurso, o papa citou o “contexto político frágil” e a crise econômica “dramática” que afeta os libaneses. “O país está ensombrecido por inúmeros problemas”, afirmou, pedindo que as diferentes comunidades religiosas abandonem divisões e se abram ao diálogo.
Durante sua passagem, Leão 14 foi recebido por milhares de jovens na sede da Igreja Maronita, em Bkerke. A eles, pediu que cristãos e muçulmanos lutem juntos contra a intolerância religiosa. “Vocês têm o entusiasmo necessário para mudar o curso da história”, disse.
O papa também visitou um hospital psiquiátrico dirigido por freiras, onde conversou com pacientes e profissionais de saúde. “Não podemos esquecer os mais frágeis”, afirmou, sendo recebido com pétalas de rosa.
Fiéis que acompanharam a missa afirmaram que a presença do pontífice trouxe alívio e fortaleceu expectativas por estabilidade. “O papa traz paz e alegria aos nossos corações”, disse Samira Khoury à AFP. Para Elias Fadel, 22, a visita é “um sinal de esperança para o Líbano”.
Leão 14 encerrou a programação reforçando a necessidade de diálogo e reconciliação para um país ainda marcado pela guerra, crise e instabilidade.