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Papa pede fim dos conflitos no Líbano, em último dia de visita
Pontífice apelou para que “cessem as hostilidades” no país, sem mencionar Israel ou Hezbollah, em meio à escalada de bombardeios na região.
02/12/2025 17h35
Por: Redação
Foto: Reprodução

No último dia de sua visita ao Líbano, o papa Leão 14 fez um apelo direto pelo fim “dos ataques e das hostilidades” no país, que tem sido alvo de sucessivos bombardeios de Israel apesar do cessar-fogo firmado em 2024 com o grupo extremista Hezbollah. O pedido foi feito nesta terça-feira (2), no aeroporto de Beirute, antes do retorno à Itália.

Sem citar Israel ou Hezbollah, o pontífice afirmou que “a luta armada não traz benefícios” e destacou que apenas “negociação, mediação e diálogo” podem construir soluções duradouras. “Escolhamos a paz como caminho, e não apenas como objetivo”, declarou.

A visita de três dias marcou a primeira viagem internacional de Leão 14 como líder da Igreja Católica. O papa, que tem cidadania americana e peruana, chegou ao Líbano no domingo (30), vindo da Turquia, levando mensagens de esperança a uma população que enfrenta grave crise econômica e instabilidade política.

Missa reúne 150 mil fiéis em Beirute

Em uma missa ao ar livre que reuniu cerca de 150 mil pessoas na capital libanesa, Leão 14 pediu unidade entre cristãos e reforçou a necessidade de superar a lógica da vingança e das divisões políticas, sociais e religiosas.

“O Oriente Médio precisa de novas abordagens para rejeitar a mentalidade de violência e abrir novos capítulos em nome da reconciliação”, afirmou.

O evento ocorreu próximo à área devastada pela explosão do porto de Beirute, em agosto de 2020, que matou mais de 220 pessoas. O papa rezou no local com sobreviventes e familiares das vítimas, acendendo uma lâmpada em homenagem aos mortos.

Contexto de tensão 

A visita ocorreu enquanto Tel Aviv intensifica ataques contra supostos alvos do Hezbollah nas últimas semanas, apesar da trégua em vigor. O governo libanês, em meio ao colapso econômico, tem sofrido forte pressão dos Estados Unidos para conter a atuação da milícia apoiada pelo Irã.

Em seu discurso, o papa citou o “contexto político frágil” e a crise econômica “dramática” que afeta os libaneses. “O país está ensombrecido por inúmeros problemas”, afirmou, pedindo que as diferentes comunidades religiosas abandonem divisões e se abram ao diálogo.

Recepção calorosa e mensagem aos jovens

Durante sua passagem, Leão 14 foi recebido por milhares de jovens na sede da Igreja Maronita, em Bkerke. A eles, pediu que cristãos e muçulmanos lutem juntos contra a intolerância religiosa. “Vocês têm o entusiasmo necessário para mudar o curso da história”, disse.

O papa também visitou um hospital psiquiátrico dirigido por freiras, onde conversou com pacientes e profissionais de saúde. “Não podemos esquecer os mais frágeis”, afirmou, sendo recebido com pétalas de rosa.

Fiéis que acompanharam a missa afirmaram que a presença do pontífice trouxe alívio e fortaleceu expectativas por estabilidade. “O papa traz paz e alegria aos nossos corações”, disse Samira Khoury à AFP. Para Elias Fadel, 22, a visita é “um sinal de esperança para o Líbano”.

Leão 14 encerrou a programação reforçando a necessidade de diálogo e reconciliação para um país ainda marcado pela guerra, crise e instabilidade.