
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que a relação entre Brasil e Estados Unidos vive um bom momento e que sua última conversa com o presidente norte-americano, Donald Trump, foi “extraordinária”. Segundo ele, Trump demonstra um comportamento distinto do visto em declarações públicas. “Temos dois Trump: o da televisão e o da conversa pessoal”, disse Lula em entrevista à TV Verdes Mares.
A ligação entre os dois, ocorrida na terça-feira (2), durou 40 minutos e foi a terceira desde que Washington impôs sanções ao Brasil e sobretaxas a produtos brasileiros. Lula classificou como “muito positiva” a retirada das tarifas adicionais de 40% sobre parte das exportações nacionais — como carne, café e frutas — e reforçou que ainda pressiona pela eliminação das demais.
“Conversei seriamente com Trump sobre a necessidade de compreender as duas maiores democracias. Estamos perto de ter mais uma notícia boa”, afirmou.
Lula também confirmou que discutiu com Trump ações conjuntas contra facções transnacionais. “Disse que estamos dispostos a trabalhar juntos na fronteira e onde for necessário. O crime organizado é um atraso”, afirmou.
A Casa Branca, por sua vez, informou que os dois falaram sobre sanções aplicadas ao Judiciário brasileiro por causa do processo criminal contra Jair Bolsonaro e sobre temas comerciais. Trump disse a repórteres que “teve uma ótima conversa” e publicou nas redes sociais que está “ansioso para ver Lula em breve”.
Em novembro, os EUA retiraram 238 produtos brasileiros da lista da sobretaxa, reduzindo de 36% para 22% o percentual de exportações ainda afetadas. Apesar disso, setores industriais continuam preocupados, especialmente aqueles com produtos de maior valor agregado e pouca capacidade de redirecionar vendas a outros países.
Lula disse a Trump que quer “avançar rápido” na revisão das tarifas remanescentes. O tarifaço faz parte da política comercial adotada pela administração Trump para conter a perda de competitividade dos EUA ante a China.
Além das tarifas, o governo norte-americano mantém sanções a autoridades brasileiras — tema que ainda não foi resolvido entre os dois líderes.
O diálogo recente reacendeu tratativas sobre:
retirada de tarifas remanescentes para produtos industriais;
cooperação em energia renovável;
discussão sobre big techs e regulações cruzadas;
facilitação para exportações de terras raras;
debate sobre o Redata (regime tributário de data centers).
Segundo o Planalto, há expectativa de novos anúncios “nas próximas semanas”, caso as equipes técnicas dos dois governos avancem nos pontos pendentes.