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Putin ameaça Europa e diz que o país “está pronto” para um ataque
Às vésperas de reunião com enviados de Trump, líder russo critica exigências europeias, rejeita concessões no plano de paz e exibe força militar após alegar conquista estratégica em Donetsk
03/12/2025 17h43
Por: Redação
Foto: Reprodução

O presidente Vladimir Putin afirmou nesta terça-feira (2) que a Rússia está “pronta agora mesmo” para um confronto militar com países europeus, caso haja escalada. A declaração foi dada em Moscou, horas antes de o líder russo receber os enviados de Donald Trump — o negociador Steve Witkoff e o genro do presidente americano, Jared Kushner — para discutir uma saída para a guerra na Ucrânia.

Putin criticava o que chamou de “demandas inaceitáveis” feitas por aliados europeus de Kiev no plano de paz elaborado por Witkoff e pelo negociador russo Kirill Dmitriev. Segundo ele, as exigências, como deixar aberta a entrada da Ucrânia na Otan e não reconhecer os 20% do território ocupados pela Rússia, têm o objetivo de sabotar as conversas.

“Se a Europa quiser lutar contra nós de repente, estamos prontos agora mesmo”, disse Putin, acrescentando que os europeus seriam derrotados e “não sobraria ninguém para negociar” uma eventual paz.

Pressão sobre aliados de Kiev

As falas ampliam a estratégia do Kremlin de enfraquecer a posição europeia e fortalecer a interlocução direta com Trump, que já havia sinalizado disposição em reabrir negociações. Para Moscou, países da União Europeia defendem a continuidade da guerra para desgastar a Rússia — uma leitura rejeitada pelos governos europeus.

O discurso de confronto ocorre em meio ao processo de rearmamento europeu desde a invasão da Ucrânia, em 2022. Diversos países já trabalham com cenários de um possível conflito direto com Moscou até 2030.

Vitória militar e avanço em Donetsk

As declarações também foram impulsionadas por uma importante vitória militar reivindicada por Putin: a tomada de Pokrovsk, um dos principais centros logísticos das forças ucranianas em Donetsk.
A conquista seria a mais relevante para o Kremlin em quase dois anos.

Kiev nega a perda total da cidade. O presidente Volodimir Zelenski afirmou que os avanços russos são “exagerados” e que parte das tropas ucranianas ainda combate no norte de Pokrovsk. Apesar disso, analistas militares indicam que a queda da cidade é provável.

O controle de Pokrovsk pode abrir caminho para que Moscou avance sobre os 15% restantes de Donetsk — uma das quatro regiões anexadas ilegalmente pela Rússia em 2022.

Reação e isolamento diplomático

Zelenski, que está em viagem pela Europa, disse ser “vital” manter o continente nas negociações e alertou para o risco de um acordo feito “pelas costas da Ucrânia”. O líder voltou a pedir o uso de US$ 300 bilhões em ativos russos congelados no exterior para financiar armas e reconstrução, mas o Banco Central Europeu se posicionou contra, alegando ilegalidade.

O presidente ucraniano enfrenta ainda uma crise interna: um escândalo de corrupção no setor de energia levou à queda de mais uma autoridade e atingiu o influente chefe de gabinete Andrii Iermak, responsável por negociações de paz.

Reunião com enviados de Trump

A reunião no Kremlin com Witkoff e Kushner durou cerca de cinco horas e foi classificada como “produtiva” por Dmitriev. É o sexto encontro entre o negociador russo e os representantes americanos neste ano.
Enquanto isso, a Europa teme ser deixada de lado num possível acordo conduzido diretamente entre Moscou e Washington.