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Sargento do Bope é preso por vazar operações no Rio de Janeiro
PF cumpre 11 prisões temporárias e aponta que militares repassavam em tempo real rotas e alvos de ações policiais
08/12/2025 15h37
Por: Redação
Foto: Reprodução

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (8/12) dois sargentos da Polícia Militar do Rio de Janeiro — um deles integrante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) — suspeitos de repassar informações sigilosas para uma das maiores facções criminosas do estado. As prisões fazem parte da Operação Tredo, deflagrada no Rio e em Mesquita, na Baixada Fluminense.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa. A ação contou com apoio do próprio Bope e da Corregedoria da PMERJ. Segundo a PF, os investigados atuavam como infiltrados e comprometiam operações de alta sensibilidade realizadas em áreas dominadas pela facção.

 

Militares informavam hora, rota e alvo das incursões

As investigações identificaram que policiais militares repassavam, em tempo real, detalhes sobre operações planejadas: data, horário, alvo e trajetos das equipes. Com as informações antecipadas, criminosos removiam barricadas, escondiam drogas e armamentos pesados e, em alguns casos, montavam emboscadas contra agentes do Estado.

Um dos presos, sargento do Bope, exercia função estratégica dentro do batalhão: era o responsável pela escalação das equipes, o que lhe dava acesso privilegiado aos planejamentos mais sigilosos. De acordo com a PF, essa posição permitiu que ele avisasse chefes da facção com antecedência suficiente para frustrar incursões ou alterar rotas táticas de unidades policiais.

A investigação ganhou força a partir de dados compartilhados com a Operação Buzz Bomb, que apurava o envolvimento de um militar da Marinha no fornecimento de drones e treinamento de integrantes da mesma organização criminosa. O cruzamento de informações revelou movimentações incompatíveis e troca de mensagens entre agentes públicos e criminosos.
Um dos alvos da Tredo já havia sido preso em novembro, na Operação Contenção, também voltada ao braço logístico da facção.

 

Apreensões, crimes investigados e o significado de “Tredo”

Até a última atualização da PF, foram apreendidos três veículos, celulares e materiais que podem ajudar a detalhar a extensão da infiltração e o período em que os militares atuaram em benefício da facção. A polícia tenta identificar outros agentes públicos que possam ter sido cooptados.

Os investigados podem responder por organização criminosa armada, corrupção ativa e passiva, homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma e violação de sigilo funcional.

O nome da operação, “Tredo”, significa traidor — alguém que rompe a confiança e age com falsidade. Segundo a PF, o termo simboliza o papel dos militares que, ao compartilhar informações sensíveis, comprometeram operações e colocaram em risco a vida de outros agentes.

A ação integra a Missão Redentor 2, que busca desarticular facções fluminenses em cumprimento às diretrizes da ADPF nº 635, do Supremo Tribunal Federal (STF).