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Dupla armada invade Biblioteca Mário de Andrade e rouba obras raras de Matisse e Portinari
Criminosos renderam vigilante e visitantes; Prefeitura aciona Interpol e Polícia identifica suspeitos
08/12/2025 16h01
Por: Redação
Foto: Reprodução

A Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo, foi alvo de um roubo de obras de arte na manhã deste domingo (7). Dois homens armados entraram no prédio por volta das 10h15, renderam uma vigilante e um casal de idosos que visitava a mostra “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”, e levaram oito gravuras raríssimas da série Jazz, de Henri Matisse, e cinco gravuras de Candido Portinari, da série Menino de Engenho. As obras estavam expostas no último dia da mostra e foram colocadas pelos ladrões em uma sacola de lona antes da fuga.

Segundo a Polícia Militar, a dupla deixou o local pela porta principal e fugiu em direção ao metrô Anhangabaú. A vigilante, desarmada, foi obrigada a entregar o rádio de comunicação e o celular. Parte do roubo foi registrada por câmeras de vigilância, e imagens obtidas pelo sistema SmartSampa mostram os criminosos transportando algumas das obras pela Rua João Adolfo. O veículo usado na fuga, uma van azul, já foi identificado e apreendido para perícia.

 

Investigação avança, e Interpol é acionada

A Prefeitura de São Paulo comunicou imediatamente o roubo à Interpol, anexando fotos e informações das obras, para evitar que elas sejam enviadas ao exterior. A Polícia Civil, por meio da 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), já identificou os dois suspeitos, que seguem procurados.

Segundo a polícia, os criminosos foram flagrados por câmeras deixando a van, caminhando até a biblioteca, e retornando minutos depois carregando quadros. Em outra gravação, um dos homens aparece deixando três telas encostadas em um muro — ainda não se sabe se outra pessoa as recolheu ou se a dupla voltou para buscá-las. Até a última atualização, as obras ainda não haviam sido recuperadas.

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou que todas as obras estavam seguradas, e que o local dispõe de vigilância e câmeras. Todo o material útil à investigação foi entregue às autoridades.

 

Valor histórico e cultural incalculável

As gravuras de Matisse levadas pertencem ao álbum Jazz, publicado em 1947 e considerado uma das obras essenciais do modernismo mundial. A edição é extremamente rara — apenas 250 exemplares originais existem no mundo, sendo apenas dois no Brasil. Entre as obras roubadas estão Le clown, Le cirque, Le Codomas, La nageuse dans l’aquarium e outras peças emblemáticas criadas a partir de recortes e colagens de papel colorido.

O crítico e curador Tadeu Chiarelli classificou o roubo como “muitíssimo grave” e afirmou que o valor cultural das obras “é incalculável”. A mesma avaliação se aplica às gravuras de Candido Portinari, um dos artistas brasileiros mais importantes do século 20. Obras desse tipo são consideradas praticamente invendáveis no mercado formal devido ao rastreamento e ao reconhecimento internacional.

A Biblioteca Mário de Andrade, que completou 100 anos em fevereiro, é a segunda maior biblioteca pública do país e abriga quase 1,5 milhão de itens. Não é a primeira vez que seu acervo é alvo de criminosos: em 2006, doze gravuras raras do século 19 foram furtadas do local e recuperadas apenas em 2024, após 18 anos desaparecidas.