
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo (8) que espera avançar “muito em breve” para a segunda fase do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. A declaração foi feita após reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, que iniciou sua primeira visita diplomática a Israel desde que assumiu o cargo.
Netanyahu ressaltou que a primeira fase do acordo ainda não foi totalmente concluída, já que o Hamas precisa devolver o corpo do último refém israelense, Ran Gvili. A partir disso, o governo espera dar início à próxima etapa — considerada mais complexa e central para o plano de paz apoiado pelos Estados Unidos.
Segundo Netanyahu, a segunda fase do acordo segue o plano proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O pacote inclui:
desarmamento completo do Hamas,
desmilitarização total da Faixa de Gaza,
instalação de uma força internacional temporária, responsável por estabilizar o território,
retirada progressiva do Exército israelense.
Netanyahu afirmou que terá “conversas muito importantes” no final do mês para garantir o avanço da implementação. O primeiro-ministro também mencionou uma terceira fase do processo, que envolveria a “desradicalização de Gaza”, comparando o esforço à reconstrução política da Alemanha após a Segunda Guerra.
Merz apoiou publicamente o plano, declarando que “o Hamas não pode desempenhar nenhum papel em Gaza” e que a Alemanha está disposta a contribuir para a reconstrução e estabilização da região.
A viagem de Merz ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Israel e Alemanha, alimentadas pela guerra em Gaza e por episódios de violência cometidos por colonos extremistas na Cisjordânia. Durante a visita, o chanceler se reuniu com ex-reféns israelenses-alemães e reafirmou que “Gaza não deve mais representar uma ameaça para Israel”.
O plano apoiado pelos Estados Unidos prevê ainda a criação de um Conselho de Paz, responsável pela governança provisória do território e pela coordenação das operações da força internacional de estabilização. O objetivo é assegurar o funcionamento básico de Gaza durante a transição política e a reconstrução.
Desde o início da trégua, em 10 de outubro, o Hamas já devolveu os corpos de 27 reféns mortos e entregou 20 pessoas ainda detidas, em troca da libertação de aproximadamente 2 mil prisioneiros palestinos.
Apesar da redução significativa nos combates, tanto Israel quanto Hamas se acusam de violar os termos do cessar-fogo. O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, afirmou no sábado que as negociações para consolidar o acordo estão em “estágio crítico”.
O futuro da trégua e o avanço para a segunda fase dependerão da devolução do último refém e da convergência diplomática entre Estados Unidos, Israel, países árabes mediadores e aliados europeus.