
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reuniu-se nesta segunda-feira (8), em Londres, com o premier britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz para discutir o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos. O encontro ocorre horas depois de o presidente Donald Trump declarar estar “decepcionado” com a postura de Zelensky — e após Donald Trump Jr. sugerir que os EUA poderiam “abandonar” o apoio à guerra.
Os líderes europeus querem fortalecer a posição de Kiev nas negociações, especialmente diante de demandas consideradas “inaceitáveis” impostas pelo presidente russo, Vladimir Putin, incluindo o controle total sobre a região do Donbass.
O encontro ocorre sob tensão diplomática. No domingo, Trump afirmou que Zelensky “ainda não leu a proposta de paz”, enquanto Trump Jr. — sem apresentar provas — acusou o ucraniano de prolongar a guerra para se manter no poder e insinuou que seu pai poderia retirar o apoio militar dos EUA.
A fala do filho do presidente, embora informal, provocou preocupação em capitais europeias, por refletir o sentimento de parte da base trumpista contrária à continuidade do suporte militar a Kiev.
Segundo Zelensky, os negociadores ucranianos e americanos concluíram três dias de conversas no sábado, mas ainda há divergências importantes. Em entrevista à Bloomberg, o presidente afirmou que ainda não existe consenso sobre:
o futuro do Donbass, incluindo Donetsk e Luhansk;
as garantias de segurança para a Ucrânia;
a estrutura do acordo territorial;
os compromissos dos aliados caso a Rússia volte a atacar.
“Existem visões dos EUA, da Rússia e da Ucrânia, e não temos uma visão unificada sobre o Donbass”, afirmou Zelensky. Segundo ele, Kiev insiste em um acordo separado que garanta proteção ocidental caso Moscou reinicie as hostilidades.
Trump, por sua vez, sugeriu que a Ucrânia deveria aceitar concessões territoriais para encerrar o conflito — posição rejeitada tanto por Kiev quanto por parte dos aliados europeus.
As conversas em Londres também foram influenciadas pela divulgação, na sexta-feira, da nova estratégia de segurança nacional dos EUA, que trouxe duas mensagens que preocupam a Europa e agradam ao Kremlin:
Washington deseja “restabelecer a estabilidade estratégica com a Rússia”, após anos de isolamento diplomático.
A OTAN não deve ter “expansão perpétua”, ecoando uma das principais queixas de Putin.
Para Moscou, o porta-voz Dmitry Peskov disse que o documento está “amplamente alinhado” com a visão de mundo russa.
O texto também critica políticas migratórias e de liberdade de expressão de aliados europeus, alimentando um debate dentro da UE sobre os rumos da relação transatlântica sob Trump.
Em conferência no Oriente Médio, Donald Trump Jr. afirmou que seu pai poderia “simplesmente abandonar” a guerra e acusou Zelensky de “nunca vencer uma eleição se o conflito acabasse”. Ele também declarou — novamente, sem provas — que a Ucrânia seria “mais corrupta que a Rússia”.
Embora não exerça cargo formal, Trump Jr. é uma figura relevante no movimento MAGA e frequentemente influente sobre a base trumpista.
A fala ocorre justamente quando Kiev depende de apoio militar contínuo para resistir aos ataques russos, sobretudo contra a infraestrutura energética ucraniana, agora no inverno.
Apesar dos esforços diplomáticos, a guerra seguiu ativa no fim de semana:
Quatro pessoas morreram em bombardeios russos no domingo.
Moscou afirmou ter derrubado 67 drones ucranianos durante a madrugada em 11 regiões do país.
A Ucrânia segue sofrendo ataques sistemáticos a usinas, redes elétricas e infraestrutura crítica.
Zelensky, ao lado dos líderes europeus, tenta acelerar um consenso sobre o plano de paz antes de novos encontros previstos para o fim do mês.