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Zelensky busca apoio europeu após pressão dos EUA
Reunião em Londres acontece após Trump e Donald Trump Jr. pressionarem Kiev a ceder território; líderes do Reino Unido, França e Alemanha querem reforçar posição ucraniana
08/12/2025 18h15 Atualizada há 9 meses
Por: Redação
Foto: Reprodução

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reuniu-se nesta segunda-feira (8), em Londres, com o premier britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz para discutir o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos. O encontro ocorre horas depois de o presidente Donald Trump declarar estar “decepcionado” com a postura de Zelensky — e após Donald Trump Jr. sugerir que os EUA poderiam “abandonar” o apoio à guerra.

 

Pressões americanas e exigências russas

Os líderes europeus querem fortalecer a posição de Kiev nas negociações, especialmente diante de demandas consideradas “inaceitáveis” impostas pelo presidente russo, Vladimir Putin, incluindo o controle total sobre a região do Donbass.

O encontro ocorre sob tensão diplomática. No domingo, Trump afirmou que Zelensky “ainda não leu a proposta de paz”, enquanto Trump Jr. — sem apresentar provas — acusou o ucraniano de prolongar a guerra para se manter no poder e insinuou que seu pai poderia retirar o apoio militar dos EUA.

A fala do filho do presidente, embora informal, provocou preocupação em capitais europeias, por refletir o sentimento de parte da base trumpista contrária à continuidade do suporte militar a Kiev.

 

Proposta de paz divide EUA, Ucrânia e Rússia

Segundo Zelensky, os negociadores ucranianos e americanos concluíram três dias de conversas no sábado, mas ainda há divergências importantes. Em entrevista à Bloomberg, o presidente afirmou que ainda não existe consenso sobre:

“Existem visões dos EUA, da Rússia e da Ucrânia, e não temos uma visão unificada sobre o Donbass”, afirmou Zelensky. Segundo ele, Kiev insiste em um acordo separado que garanta proteção ocidental caso Moscou reinicie as hostilidades.

Trump, por sua vez, sugeriu que a Ucrânia deveria aceitar concessões territoriais para encerrar o conflito — posição rejeitada tanto por Kiev quanto por parte dos aliados europeus.

 

Nova política de segurança dos EUA alarma Europa e agrada Moscou

As conversas em Londres também foram influenciadas pela divulgação, na sexta-feira, da nova estratégia de segurança nacional dos EUA, que trouxe duas mensagens que preocupam a Europa e agradam ao Kremlin:

  1. Washington deseja “restabelecer a estabilidade estratégica com a Rússia”, após anos de isolamento diplomático.

  2. A OTAN não deve ter “expansão perpétua”, ecoando uma das principais queixas de Putin.

Para Moscou, o porta-voz Dmitry Peskov disse que o documento está “amplamente alinhado” com a visão de mundo russa.

O texto também critica políticas migratórias e de liberdade de expressão de aliados europeus, alimentando um debate dentro da UE sobre os rumos da relação transatlântica sob Trump.

 

Trump Jr. eleva tom político e acusa Zelensky de prolongar conflito

Em conferência no Oriente Médio, Donald Trump Jr. afirmou que seu pai poderia “simplesmente abandonar” a guerra e acusou Zelensky de “nunca vencer uma eleição se o conflito acabasse”. Ele também declarou — novamente, sem provas — que a Ucrânia seria “mais corrupta que a Rússia”.

Embora não exerça cargo formal, Trump Jr. é uma figura relevante no movimento MAGA e frequentemente influente sobre a base trumpista.

A fala ocorre justamente quando Kiev depende de apoio militar contínuo para resistir aos ataques russos, sobretudo contra a infraestrutura energética ucraniana, agora no inverno.

 

Ataques continuam

Apesar dos esforços diplomáticos, a guerra seguiu ativa no fim de semana:

Zelensky, ao lado dos líderes europeus, tenta acelerar um consenso sobre o plano de paz antes de novos encontros previstos para o fim do mês.