
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (9) que sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 é “irreversível”, descartando qualquer possibilidade de recuo. A declaração foi dada após visita ao pai, Jair Bolsonaro, na sede da Polícia Federal, onde o ex-presidente cumpre prisão preventiva por tentativa de golpe de Estado. Segundo o senador, a única condição para desistir da disputa seria uma anistia aprovada pelo Congresso que permitisse a volta de Bolsonaro às urnas.
Flávio disse ter conversado com o pai sobre a repercussão do anúncio feito na última sexta-feira (5). Questionado sobre sua fala de que teria “um preço” para deixar a corrida presidencial, o senador afirmou que o único “preço” é “Bolsonaro livre e nas urnas”, reforçando que não se trata de negociação política:
“Meu preço é o Bolsonaro livre e nas urnas. Ou seja, não tem preço. Não estou à venda.”
Preso por tentativa de golpe, Jair Bolsonaro está impedido de disputar eleições após condenações no STF e no TSE. Parlamentares aliados pressionam por anistia, mas o tema enfrenta forte resistência no Congresso e é considerado politicamente tóxico para líderes do Centrão.
Na noite de segunda-feira (8), Flávio organizou um jantar com dirigentes de partidos de centro-direita em Brasília. Participaram Antônio de Rueda (União Brasil), Valdemar Costa Neto (PL), Rogério Marinho (PL-RN) e Ciro Nogueira (PP). Marcos Pereira (Republicanos) foi convidado, mas não compareceu.
Segundo Marinho, o encontro serviu para que o senador apresentasse seu projeto de governo. Ele reiterou que o PL está unido em torno de Flávio.
As declarações de Flávio Bolsonaro voltaram a mexer com o mercado financeiro. Nesta terça-feira, às 14h41, a moeda avançava 0,36%, a R$ 5,440, e a Bolsa caía 0,33%, a 157.652 pontos.
Na sexta-feira, quando Flávio lançou oficialmente sua pré-candidatura, o índice despencou mais de 4% e o dólar subiu 2%. Analistas avaliaram que o apoio explícito de Jair Bolsonaro ao filho enfraquece uma eventual candidatura de Tarcísio — cenário que o mercado associa a maior risco fiscal, caso Lula conquiste a reeleição.
As incertezas eleitorais acabam ofuscando dois eventos cruciais da semana: as decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil, previstas para quarta-feira (10).
Nos bastidores, líderes do Centrão avaliam que a candidatura de Flávio tende a perder força nos próximos meses, especialmente com novas pesquisas indicando maior competitividade de Tarcísio de Freitas. Por isso, dirigentes resistem a aderir à pressão por anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro, considerada uma bandeira arriscada e impopular.
Nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou a líderes partidários que colocará em votação um projeto que reduz penas, mas não concede perdão completo aos envolvidos na tentativa de golpe — frustrando o pleito do núcleo bolsonarista.
Flávio irritou lideranças ao condicionar sua retirada da disputa à liberdade do pai. Integrantes do Centrão afirmam que não pretendem agir “sob chantagem” e que Tarcísio não deve se envolver em articulações pela anistia, mesmo com apoio de aliados bolsonaristas.
Apesar do desgaste, Flávio mantém o discurso de que sua candidatura “não tem volta” e que apenas Jair Bolsonaro poderia substituí-lo no pleito — hipótese improvável diante das condenações.