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PL da Dosimetria abre caminho para libertar condenados do 8/1
Ícones dos ataques — como “Débora do Batom”, “Fátima de Tubarão” e o homem que quebrou o relógio histórico — podem ter reduções expressivas nas condenações caso o projeto avance no Senado
10/12/2025 15h54
Por: Redação
Maria de Fátima, de Tubarão, presa pela PF — Foto: Reprodução

A aprovação do PL da Dosimetria pela Câmara dos Deputados reabriu o debate sobre o futuro das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Caso o texto seja aprovado pelo Senado e sancionado, condenados por depredação e dano ao patrimônio público, entre eles figuras que ficaram conhecidas durante os ataques às sedes dos Três Poderes, poderão ter reduções significativas no tempo de prisão. O projeto altera cálculos de pena, unifica crimes relacionados ao Estado Democrático de Direito e permite descontos específicos para quem atuou em “contexto de multidão”.

 

Quem são os condenados que podem ser beneficiados

Entre os possíveis favorecidos estão nomes que se tornaram símbolos do 8 de Janeiro. A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, condenada por pichar a estátua A Justiça com a frase “Perdeu, mané”, recebeu pena de 14 anos de prisão. Já Maria de Fátima Mendonça, a “Fátima de Tubarão”, e Antônio Cláudio Alves Ferreira, conhecido por quebrar o relógio histórico oferecido a Dom João VI, foram condenados a 17 anos de reclusão cada.

Segundo o advogado constitucionalista Acácio Miranda, nos três casos “os crimes foram cometidos no contexto de multidão”, situação que pelo PL pode reduzir as penas entre um terço e dois terços, além de permitir unificação de condenações.

Com isso, no cenário mais favorável, as penas poderiam cair drasticamente:

Débora cumpre atualmente prisão domiciliar, concedida devido à presença de filhos menores de idade.

 

Como o PL da Dosimetria muda o cálculo das penas

O PL 2.162/2023, do deputado Marcelo Crivella, modifica regras centrais da dosimetria penal aplicada aos condenados por crimes relacionados ao Estado Democrático de Direito.

Os principais pontos são:

Unificação das penas de golpe de Estado e abolição violenta

O texto elimina a soma direta das penas desses dois crimes quando praticados no mesmo contexto. Pela nova regra, aplicaria-se apenas a pena mais grave, com aumento proporcional, e não a soma aritmética usada hoje pelo STF.

Redução para quem participou sem liderança

O projeto prevê diminuição de 1/3 a 2/3 para quem atuou sem comando, sem financiamento e no meio da multidão — exatamente o perfil da maior parte dos réus do 8 de Janeiro.

Progressão mais rápida e remição ampliada

O PL permite progressão de regime após cumprimento de um sexto da pena, beneficiando réus primários. Também consolida a possibilidade de remição por estudo ou trabalho mesmo para quem estiver em prisão domiciliar, ponto ainda controverso na jurisprudência.

 

O que falta para aprovação e quando pode valer

Após aprovação na Câmara, o texto segue agora para o Senado, onde encontra resistência em bancadas como PSD e MDB. O relator será o senador Esperidião Amin (PP-SC), e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), pretende votar o projeto ainda em 2025.

Mesmo que seja aprovado, o PL ainda poderá ser alvo de veto presidencial. Ministros do governo afirmam que Lula avalia barrar trechos ou até o texto integral, entendendo que a mudança fragiliza respostas institucionais a ataques contra a democracia. Caso o veto ocorra, o Congresso poderá derrubá-lo.