
O Senado decidiu adiar para 2026 a votação do projeto que atualiza a Lei do Impeachment, após o relator Weverton Rocha (PDT-MA) solicitar mais tempo para analisar sugestões e reduzir a tensão entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta, que estava prevista para ser votada nesta quarta-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ganhou centralidade após a decisão do ministro Gilmar Mendes que restringiu quem pode propor o impeachment de ministros da Corte.
A expectativa era que o relatório fosse apresentado ainda nesta quarta, mas Weverton afirmou que pedidos de alteração feitos por parlamentares da oposição, pelas Forças Armadas, pelo Ministério Público e outras instituições exigem mais tempo para análise. O senador disse que não seria possível concluir o texto antes do recesso, tornando inevitável a votação apenas no próximo ano legislativo.
Segundo ele, o adiamento evita que o debate fique vinculado à recente decisão de Gilmar Mendes, que determinou que pedidos de impeachment contra ministros do STF só podem ser apresentados pelo procurador-geral da República, retirando essa prerrogativa de cidadãos comuns. A medida provocou forte reação do Senado, que enxergou ameaça à sua competência constitucional.
Weverton destacou que o objetivo é amadurecer o texto: “Essa lei não é para mim, não é para ele, nem para vocês. É uma lei de Estado. Precisamos ter responsabilidade na condução”.
Um rascunho do relatório indica que senadores discutem um modelo menos restritivo que o definido por Gilmar Mendes. A minuta autoriza que partidos políticos, a OAB, entidades de classe e até iniciativa popular com 1,56 milhão de assinaturas possam propor o impeachment de ministros do STF — ampliando o rol de legitimados, embora ainda sujeitando o processo ao crivo do Senado.
Para autoridades como presidente da República, ministros de Estado e comandantes das Forças Armadas, o texto preliminar estabelece prazo de 30 dias úteis para que o presidente da Câmara decida se aceita ou rejeita o pedido de impeachment, com possibilidade de recurso à Mesa Diretora ou ao plenário, algo inexistente hoje.
A proposta também atualiza a definição de crimes de responsabilidade e cria parâmetros mais claros para julgamentos, algo considerado necessário após décadas de lacunas na lei de 1950.
Paralelamente, o Senado pediu ao STF que suspenda a decisão de Gilmar Mendes ao menos até que o Congresso conclua a votação da nova lei. A Casa argumenta que a liminar interfere no processo legislativo e cria insegurança jurídica sobre o tema.
A decisão de Gilmar ocorreu em meio à pressão de senadores bolsonaristas para protocolar novas denúncias contra ministros como Alexandre de Moraes, que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. No parecer, o ministro destacou que o modelo antigo permitia afastar um ministro do Supremo com maioria simples, o que considerou “extravagante no atual contexto de polarização”.
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já havia criticado a liminar. Nos bastidores, a avaliação é de que o Senado tenta recuperar protagonismo político, ao mesmo tempo em que busca evitar que a discussão se transforme em confronto direto com o STF.
Com o adiamento, o projeto deverá ser reorganizado, revisado e colocado novamente em pauta apenas em 2026, após novas rodadas de debates e contribuições.